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Coluna

Risco iminente

06 fevereiro 2020 - 12h56

Os efeitos negativos da crise econômica estão longe de ser minimizados. Não é uma referência a crise econômica nacional. Esta afeta o país com um todo. Seus efeitos são mais percebidos diretamente no bolso do consumidor e no seu poder de compra. O que chama a atenção aqui é a crise econômica que afeta o Estado do Rio e os municípios da baixada litorânea. Esta sim, tem efeitos diretos no dia-a-dia da população local. A falta de uma perspectiva real para melhorar a vida do cidadão na cidade onde reside, é alarmante. Lamentavelmente, os riscos da situação piorar são iminentes e não tem previsão de acabar. Importante analisar dois fatores, que se destacam como potenciais efeitos agravadores da crise.

O primeiro é contínuo e de difícil solução e controle. Trata-se do risco de má gestão que atinge os municípios da região e o governo do Estado, em virtude da ação política. Governador e prefeitos foram eleitos democraticamente, sob a influência de um conjunto de influências políticas, que não garantem o devido preparo e capacidade para enfrentarem as complexas dificuldades da gestão pública. Esse desalinhamento entre a crise e a capacidade dos gestores, deixa a situação de governo vulnerável. A população não costuma eleger os candidatos mais preparados. De forma geral, a eleição dos candidatos está associada ao poder de fogo de suas campanhas eleitorais. Aquelas que conseguem melhor conciliar interesses de grupos políticos, de grupos econômicos e expectativas na população, conseguem êxito nos pleitos. O currículo e experiência dos candidatos ficam em segundo plano. 

A influência de fatores políticos, consolidada em irregularidades administrativas e eleitorais praticadas por prefeitos, afetou mandatários da gestão de Cabo Frio, de Armação dos Búzios e de Iguaba Grande, por exemplo. Prefeitos foram afastados, sem a garantia de que seus sucessores teriam a capacidade necessária para superar as dificuldades. Essa instabilidade política, embora seja necessária, afasta investimentos e cria barreiras a recuperação econômica dessas localidades. Por outro lado, a inexperiência político-administrativa do governador do Estado do Rio, cria insegurança em agentes econômicos e em grande parte da população, de que terá condições de contornar a grave crise fiscal que afeta o governo fluminense.

Em novembro, o STF marcou o julgamento da proposta de redistribuição dos royalties do petróleo para outros estados e municípios. Isso representa um grave risco que pode afetar ainda mais a arrecadação do Estado e dos municípios produtores de petróleo. Dentre eles Cabo Frio, Arraial do Cabo e Búzios podem ser afetados, dentre outros. Parlamentares fluminenses se preparam para tentar barrar ou adiar essa proposta. Esse é um cenário muito preocupante, pois vários municípios da baixada litorânea tem os royalties com uma das principais fontes receita. Com uma economia dependente da produção de petróleo, o estado fluminense poderá ser fortemente afetado. 

Por esses motivos, é mais do que urgente um planejamento, com estratégias e ações que estejam alinhadas ao objetivo de recuperação econômica da região e do estado. Diversificar a economia é urgente, tornando-a menos dependente do petróleo. O maior entrave para que isso aconteça, passa pelo despreparo político. Entretanto, se a sociedade civil estiver sensível a esses riscos, já será um enorme avanço para superar os obstáculos que ainda estão por vir. Essa conscientização deve começar desde já, para que em outubro próximo, bons gestores sejam eleitos para as prefeituras fluminenses. Vamos torcer.