Assine Já
segunda, 13 de julho de 2020
Região dos Lagos
28ºmax
16ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
Coluna

Mais oportunismo pelo caminho

20 dezembro 2019 - 15h18

As recentes movimentações na política cabo-friense, nos remete a fazer uma importante reflexão, vislumbrando o futuro da cidade. Em geral, esses movimentos, mostram muito dos interesses de cada grupo ou agente político. A mais recente novidade, é a reafirmação da pré-candidatura a prefeito do vereador Rafael Peçanha, pelo Partido Verde (PV), confirmando sua saída do PDT cabo-friense. Foi candidato a prefeito pelo partido na eleição suplementar do ano passado, e agora confirma sua saída. Em política, não há movimentação partidária que fique em segredo, pois já se previa o futuro do edil no PV.  Na oportunidade do anúncio de sua pré-candidatura, ainda apresentou outros partidos que devem caminhar na sua campanha, como o PODEMOS, e estranhamente a REDE, partido pelo qual se elegeu o prefeito Adriano Moreno.

Em março deste ano, Peçanha já tinha justificado a sua mudança, numa tentativa de aproximar-se da “onda bolsonarista”, segundo informou o ex-prefeito José Bonifácio à época. Alegou o parlamentar que deseja abrir diálogo com setores mais conservadores, buscando o centro do espectro político. Tem caminhado nesta direção, com as recentes notícias divulgadas. Desde o início do ano, não mudou sua atuação política, marcada pelo oportunismo político, tentando agradar a “gregos” e “troianos”. O negócio do parlamentar é não se desgastar com nenhum eleitorado, agradando a todos os segmentos políticos, sempre com objetivo eleitoral. 

Na atuação política do vereador candidato, apresentou-se sempre como “salvador da pátria”. Embora saiba que a resolução dos problemas está longe de seu alcance como representante legislativo, se coloca como solução. Criou factoides, principalmente da eleição complementar para cá, apresentando muitas denúncias, sem grandes efeitos. E assim tem sido. Para mostrar serviço, denuncia, faz indicações, pedidos e requerimentos, com pouca efetividade. O método de levantar “fumaça” para chamar a atenção da mídia e ocupar a imprensa local, que sempre muito solícita, lhe dá papel de destaque. A conduta do parlamentar tem sido buscar um marketing oportunista de cidade provinciana. Parece usar a tática dos programas de TV sensacionalistas, fazendo vídeos de denúncias em locais públicos como portas de hospitais, porta de postos de saúde e escolas, entre outros setores. Incita a população através das redes sociais. A tribuna da Câmara está lá para isso. Práticas populistas não condizentes com a necessária renovação política.

Outros fatos da atuação política chamam a atenção. O vereador se intitula como muito preparado para resolver os problemas da cidade, mas não apresenta poder de articulação na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional. Não se vê uma emenda ou verba extra que tenha obtido para contribuir com o município. Limita-se apenas a criticar e provocar a ira da população contra um governo ineficiente e fracassado. Na expressão popular, é o mesmo que bater sistematicamente em “cachorro morto”. 

Quando o edil assume estar buscando o centro do espectro político, mostra pouca convicção ideológica e muito pragmatismo. Característica de projeto de poder, como aquele que levou o ex-prefeito Marquinho Mendes ao Executivo. Afastou-se do garantido apoio pedetista, para se aproximar de grupos políticos locais que buscam uma oportunidade de poder. Ocupou partidos políticos sem organicidade, velha prática das siglas de “aluguel”. Movimentações políticas (passadas) semelhantes, produziram “caciques” políticos na cidade, que perduraram por mais de 20 anos no poder. Cabo Frio não merece mais populismo e personalismo, mais do mesmo.
Como alertei anteriormente, a esperança é de que a sociedade “abra os olhos” e coloque “os pés no chão”. A cidade precisa de maior representação popular das entidades associativas e de organização social. O coletivo deve se sobrepor aos interesses pessoais de poder. Não devemos mais correr o risco de criar novos “coronéis” cujo o projeto é de ocupar o poder.