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Coluna

Lições da crise

06 maio 2020 - 13h22

Sempre devemos aprender com as crises. Todas as ciências, sejam médicas, biológicas, naturais e humanas tem a oportunidade de evoluir durante as crises. A pandemia que estamos vivendo oferece essa possibilidade. As ciências sociais em particular, tem o desafio de adaptarem-se às mudanças do comportamento social. A economia e a gestão das organizações, sejam públicas ou privadas, tem o enorme desafio suprir as necessidades humanas de produtos e serviços, garantir a entrega, o abastecimento e a venda, além de gerar emprego e renda para subsistência das famílias. Com a crise provocada pelo COVID-19, nome científico do novo corona-vírus, o sistema capitalista mostrou sua fragilidade. Mostra que quando uma doença ameaça a vida humana, fragiliza todo o sistema econômico predominante. Diante de um risco demasiado de letalidade, é natural que as pessoas mudem o seu comportamento de consumo, priorizando apenas os bens essenciais à sua sobrevivência. Atinge a todos os países.

O Brasil teve a chance de se prevenir antes que agressivo vírus atingisse a população brasileira. Até a semana passada, o país vinha cumprindo bem as ações de prevenção em todo território nacional. Entretanto, já notamos uma mudança de comportamento por parte de muitas pessoas, por influência direta da falta de senso e responsabilidade do Presidente da República. São influenciadas pelo mau exemplo do mandatário e tendem a abandonar os cuidados essenciais exigidos durante o isolamento social. Observamos pelas redes sociais, pessoas que seguem o comportamento irresponsável do presidente, e o apoiam em suas loucuras diárias. O sistema de saúde brasileiro está seriamente ameaçado de colapso, ante a falta de responsabilidade do atual governo. Após a demissão do ex-ministro Mandetta da pasta da saúde, a cautela inicial de isolamento foi abandonada. Não sabemos o tamanho das consequências que virão pela frente, a partir do afrouxamento da “quarentena”, mas é temido que o Brasil siga a dramática realidade de países como Itália, Espanha e Estados Unidos. Oremos para que isso não aconteça. 

Falsamente, o governo utiliza o argumento que a população pode voltar a vida normal, para salvar a economia. Pergunto: o que será da economia, se houver um colapso do sistema de saúde? Se vidas forem ceifadas para todo lado, a economia não vai funcionar e haverá recessão ou depressão do mesmo jeito. Será um cenário de guerra. São ainda muito necessárias, medidas de contenção da mobilidade social. O retorno dos negócios e do comércio precisa ser gradativo, coordenado e consciente da prevenção. 

Um outro aprendizado que o Brasil deveria aproveitar, é que os sistemas públicos de saúde, de educação, de segurança, por serem públicos, são capazes de suportar épocas de crise social e econômica. Neste momento grave, a saída é a presença massiva do Estado Brasileiro. O momento agora é pagar um auxílio social decente para trabalhadores informais e pessoas na linha de pobreza. É preciso socorrer as pequenas e microempresas com crédito e recursos subsidiados para que suportem o difícil período. 

Ao contrário dos conceitos de um liberalismo equivocado, onde se preconiza entregar as riquezas naturais, os serviços essenciais e a produção, a preço de banana, para empresas estrangeiras, o povo brasileiro necessita é dos braços fortes do Estado. Isso não significa defender a estatização da economia. Setores estratégicos como petróleo, energia e minério, devem ser preservados pelo governo. Outros setores até poderiam ser privados, desde que sejam salvaguardados o interesse nacional e privilegie empresas tipicamente brasileiras. Os sistemas sociais de saúde, de educação, de segurança, de previdência devem ser valorizados ao invés de serem tratados como “parasitas” por autoridades.  O Estado organizado é capaz de combater a pobreza e a desigualdade social, de distribuir riqueza para que o poder aquisitivo do povo seja preservado, fortalecendo a economia. Precisamos do Estado do Bem-Estar Social.