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Coluna

Fanatismo e intolerância

24 janeiro 2020 - 20h29

É visível que as relações humanas no país passam por um período de deterioração, causada pela contaminação de preconceitos diversos, assim como também, pelo acirramento de posicionamentos políticos e relacionados ao comportamento das pessoas em sociedade. Em nosso cotidiano, no convívio social, as divergências de opiniões são bastante perceptíveis. As redes sociais, que conectam as pessoas, através de aplicativos de smartphones e computadores, deram amplitude a isso. Indivíduos sentem-se à vontade para emitir suas opiniões, sem constrangimento e sem critérios definidos. Quase tudo é permitido. O limite do respeito entre as pessoas e das regras de boa convivência, parece ter ficado no passado. É muito comum assistimos ataques pessoais através das chamadas “redes sociais”.

Quando estão de frente uns aos outros, seja em rodas familiares ou de amigos, há um constrangimento no ar, porque as pessoas sabem sobre a vida alheia, sobre o que as outras pensam a respeito de vários assuntos e sobre como se comportam.  A visibilidade da vida pessoal, que antes era íntima e particular, é uma realidade, tornando indivíduos em pessoas públicas.

Em consequência disso, é notável que o comportamento humano habitual se modificou, não apenas em relação a comportamento, mas sobretudo em divergências de ideias. Essas conexões virtuais revelaram um lado antes não conhecido dos brasileiros. Muitos destes, chegam à falta de respeito, ao denuncismo desenfreado das fake news, ao fanatismo de várias formas e fundamentos, tais como o político, o de gênero, o de raça e o religioso. Nesse sentido, a intolerância toma forma. A face mais explícita dessas reações, talvez, seja no contexto político. Sob o pretexto de combate a corrupção ou de defender sua visão ideológica, milícias virtuais atacam a reputação de políticos e personalidades, tentando colocar todos na mesma vala comum.

No campo religioso percebe-se o fanatismo ao tentar impor visões e comportamentos conservadores, sob o argumento do cristianismo, ignorando que o Estado brasileiro é laico, sob a égide da Constituição. No futebol, as brincadeiras e gozações, extrapolam muitas vezes o limite da rivalidade, e tornam-se chacotas odiosas. No campo de gênero e raça, muitas piadas e frases, disparadas nos famosos “memes”, tentam dissimular o preconceito estrutural enraizado em nossa sociedade.

As paixões irracionais e superficiais a que estamos expostos diariamente, muitas vezes mascarados em pensamentos e ideias do senso comum, são armadilhas que impregnam as relações humanas neste século, com o auxílio das redes e aplicativos virtuais da web. Com o emprego da inteligência artificial e de seus poderosos programas computacionais, os comportamentos humanos são contaminados, sem que as pessoas percebam. É realmente temeroso e não sabemos a longo prazo qual será o efeito disso. Os danos causados por essas ferramentas modernas às relações sociais do século XXI, intoxicadas pela intolerância e pelo ódio, podem ser neutralizadas, na medida que as pessoas tomem consciência do melhor uso das tecnologias a favor de todos e todas. Essa conscientização só acontecerá se a sociedade brasileira mudar seus paradigmas, tornando a educação um instrumento transformador, em todos os seus aspectos, para formar cidadãos mais críticos e humanizados.