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Coluna

É ano novo, mas na política nem tanto

10 janeiro 2020 - 19h29

Início de ano, as notícias continuam as mesmas do ano passado em relação ao governo cabo-friense. Atrasos no pagamento do funcionalismo, descumprimento de acordos, falta de transparência e desorganização são a tônica do noticiário. Além disso, a costumeira boataria circula nos mais variados grupos políticos da cidade. A fragilidade política do governo municipal e de seu mandatário, o prefeito, é terreno fértil para os postulantes ao cargo. Todos querem tirar uma “casquinha” e aparecer nas críticas ao chefe do executivo.
O que deveria ser o grande legado da atual administração municipal, o pleno funcionamento dos serviços da cidade e a organização das contas públicas, além do cumprimento de compromissos assumidos, não estão sendo realizados. Infelizmente, o poder executivo do maior município da Região dos Lagos, falha e abre um enorme espaço para que os opositores “deitem e rolem”.  Na política não tem perdão. Adversários aproveitam-se de todas as falhas possíveis e impossíveis, para subtrair benefícios eleitorais dessas fraquezas. E a população, com toda razão, se decepciona mais uma vez, se frustra, e se abre a outras propostas políticas, que na grande maioria das vezes, são mais do mesmo. As forças políticas locais adotam práticas semelhantes. Com raras exceções, são continuidade do que está posto há mais de duas décadas.
A lista de pré-candidatos ao posto de prefeito não para de crescer. Tem para todos os gostos e representações políticas. Do mais conservador ao mais progressista. Entretanto, nota-se radicalismo apenas por parte de representantes da direita conservadora, sobretudo, na pré-candidatura do deputado estadual Dr. Serginho, que representa o bolsonarismo na cidade. Não há como considerá-lo sem a visão radical, visível na conduta do governo federal. Defendem pautas toscas, de ideologia conservadora, neopentecostal e de tendência autoritária. É hoje o campo mais extremista da política brasileira e o deputado Serginho assumiu sua fidelidade à família Bolsonaro e suas bandeiras. O advogado ficou numa “saia justa” no seu partido, o PSL, que anunciou esta semana, o nome do irmão de outro deputado estadual, o sargento Gurgel, como pré-candidato a prefeito. Esse fato mostra que o deputado cabo-friense perdeu o espaço e o controle da legenda.
No campo político de centro e de esquerda, não há sinais de extremismo. Nos partidos de centro, nomes de políticos tradicionais aparecem como alternativas. Há entre eles, ex-prefeitos e vereadores. Inclui-se aí legendas tradicionais como PDT, PT, PV, PCdoB e o mais novo, a REDE Sustentabilidade. A surpresa é a possível pré-candidatura do empresário Renato Marins, pelo PT. São partidos cuja atuação no município, não deixam dúvidas, de que atuam, ora tendendo para o campo da centro-direita ou da centro-esquerda. Esses partidos aliam-se a outras legendas, como MDB e DEM, conforme a conveniência e o alinhamento de interesses pessoais. No campo da esquerda, registra-se apenas a atuação destacada do PSOL cabo-friense, congregado na maioria por ativistas e militantes das áreas da educação, cultura, meio ambiente e de direitos humanos.
Por fim, cabe destacar que o ano de 2020 será um período movimentado na política local. A população terá um leque de opções, com cerca de 16 pré-candidatos, que naturalmente, irá se reduzir até as eleições, para algo em torno de 7 a 8 candidatos. É preciso atentar para as movimentações e práticas políticas, que dizem muito sobre a formação das pré-candidaturas e sobre os postulantes ao executivo. A cidade não suporta mais o atraso e a incompetência, marcante nos últimos governos. Repito, que com raríssimas exceções, as práticas políticas de vários pré-candidatos são as mesmas dos últimos vinte anos. Portanto, não podemos mais nos enganar. Talvez a saída, seja uma verdadeira ruptura com o modelo político viciado da cidade, elegendo um político não tradicional. As eleições de 2018, mostraram a tendência de que esse fenômeno poderá também se repetir nos municípios. Está aberta a temporada.
(*) Leandro Cunha é Administrador, Mestre em Economia e Gestão Empresarial e Professor Universitário.