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Coluna

Competitividade à moda brasileira

13 dezembro 2019 - 19h21

O relatório anual do Centro Mundial da Competitividade (CMC) revelava, há cerca de dois anos, que o Brasil ocupava péssima posição no ranking mundial de competitividade, que mostrava a avaliação da eficiência dos países no mundo todo.  Aliás, a América Latina apresentou um resultado pífio, longe de apresentar alguma expectativa de desenvolvimento econômico, que pudesse tornar os países latino-americanos mais competitivos no cenário internacional.  O Brasil está na lanterna em critérios de transparência, de burocracia, de barreiras à entrada de capitais, e da criação de empresas, segundo aponta o relatório.  O diretor do CMC na época, Arturo Bris, apontou que “crescimento econômico não é condição suficiente para a competitividade”.  Então quais seriam as condições? O atual governo mudou esse cenário? Esse é um tema que merece estudos aprofundados, pois os esforços do país precisam ser estrategicamente planejados.
Numa abordagem sucinta, dentre os vários aspectos da competitividade, uma primeira condição muito importante, se refere a capacidade tecnológica e inovadora que os países precisam reunir para conseguirem desenvolver seus produtos em escala global.  A base dessa capacidade é o conhecimento, e no Brasil persiste uma carência enorme desse insumo, dado que o sistema educacional que já era precário, continua a se afundar.  O atual Governo Federal aplicou recursos irrisórios no setor de educação neste ano. Foi a menor execução orçamentária dos últimos anos na área. Em governos anteriores, programas importantes foram criados numa tentativa de mudar essa realidade. O programa Ciência sem Fronteiras, o FIES, que financiava cursos de graduação em larga escala dando acesso ao ensino superior à população de todo o país. São exemplos bem-sucedidos de políticas públicas. A expansão de Universidades Públicas e Institutos Tecnológicos também foram significativos.  Mesmo com esses esforços, eram necessárias reformas estruturais no ensino fundamental e médio, para que o aproveitamento dos alunos a nível de graduação e pós-graduação fossem satisfatórios e gerassem produtividade.  Cabe destacar que no atual Governo, essas políticas estão desmanteladas e apenas discute-se a militarização de escolas. Nenhum plano estratégico para mudar essa realidade foi apresentado.
Outro fator que merece destaque, é a questão do capital que financia os avanços tecnológicos.  No Brasil, indiscutivelmente, tem-se investido muito pouco em novos projetos empreendedores ou start-ups.  Culturalmente, investidores preferem empresas já consolidadas, ao contrário dos investidores norte-americanos, que acreditam em ideias novas, como alavanca de rentabilidade.  Para se ter uma ideia, os EUA registram 50 vezes mais marcas e patentes que o Brasil.  Empresas do governo como BNDES e FINEP, teriam importância fundamental neste processo de viabilização econômica de novos projetos.  As parcerias público-privadas deveriam ser fomentadas como parte de políticas públicas.  Neste Governo, contudo, há ameaças ideológicas claras à atuação de órgãos governamentais nesses processos.
Destaca-se também que os gargalos em infraestrutura permanecem como causas para a baixa competitividade, sobretudo, pela atrasada infraestrutura do país, que contribui significativamente para o aumento dos custos empresariais e a pouca eficiência das cadeias produtivas.  Ao contrário do que se prega atualmente, o Estado brasileiro deveria ter um papel protagonista em liderar o processo de modernização no setor. Outras políticas públicas imediatas precisam ser encabeçadas por um Governo forte, capaz de impulsionar os investimentos no país.  A desburocratização da abertura de empresas é importante, mas não é suficiente. 
Tudo indica que o atual Executivo brasileiro será incapaz de fazer um Brasil mais competitivo. As medidas anunciadas até agora foram insuficientes para atrair investimentos estrangeiros, como desejam as autoridades da economia brasileira.  Ao contrário da linha que segue esse Governo, programas importantes para a soberania e desenvolvimento nacional deveriam ser continuados ou ampliados para que não continuemos a ser apenas um país meramente exportador de commodities, assim como quando éramos simplesmente uma colônia da Coroa Portuguesa.


(*) Leandro Cunha da Silva é Administrador, Mestre em Economia Empresarial e Professor Universitário.