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Coluna

Recomeçar

21 maio 2020 - 22h04

Venho convidando os cabofrienses a pensar a cidade que desejam para que, quando a crise do covid-19 passar, possamos juntos discutir propostas para a crise que a cidade mergulhará pós-pandemia. Propor uma cidade diferente, com valores e práticas novas, passa por uma questão básica: Gestão. Como gerar emprego, renda e impulsionar as potencialidades do nosso município com uma gestão pública altamente burocrática, ineficiente e muitas vezes corrupta? 

Recomeçar ou começar algo do zero, requer portanto, uma avaliação do cenário atual e identificação clara das forças, das fraquezas, das oportunidades e das ameaças que enfrentam uma cidade complexa como Cabo Frio, para que se defina uma gestão pública que a compreenda. Como exemplo, nesse sentido, podemos enfatizar a importância estratégica do setor da construção civil, sendo tarefa da administração impulsioná-lo para que, em pouco tempo, movimente a economia local e gere empregos tanto para os profissionais graduados, como engenheiros e arquitetos, quanto para os profissionais não graduados, como pedreiros e auxiliares.

Lamentavelmente, a burocracia da máquina pública faz com que o licenciamento para simples empreendimentos, demore um ano ou mais para ser liberada pelo órgão competente da prefeitura, trazendo sérios transtornos para o investidor e prejuízos a cidade. O mesmo raciocínio serve para o comércio em geral, que vem sofrendo um baque devido à pandemia. Desburocratizar a gestão pública é o primeiro passo para alavancar esses setores, que, em regra, padecem com a morosidade pública, penando até obter um alvará para seu funcionamento.

Eu seria leviano se levantasse todos esses questionamentos e não apontasse um caminho prático. Quando falamos de gestão, planejamento e projeto, estamos falando, diretamente, da formação do servidor. Considerando essa necessidade, é essencial que sejam implantados programas de incentivo à sua re-educação para a prática do serviço público. A instalação da Escola do Servidor, uma espécie de Universidade Corporativa, pode ser uma estratégia de capacitação capaz de simplificar os trâmites burocráticos via capacitação da máquina pública e dos seus colaboradores. Esses modelos aplicados na iniciativa privada, concentram cursos na área de administração e de gestão que são referência, ganhando cada vez mais espaço e relevância na seara pública.

A Eficiência e a eficácia administrativa demandam esforços metodológicos em diversas áreas, mas não se deve negligenciar as formações técnicas e de Recursos Humanos, onde há o desenvolvimento científico e comportamental do servidor. Não podemos falar em geração de empregos, em aumento da arrecadação própria e, enfim, em desenvolvimento econômico, sem antes passarmos por uma reforma na gestão pública. Afinal, as administrações municipais nada mais são do que empresas prestadoras de serviços públicos.