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Coluna

Amarás o teu próximo como a ti mesmo - O coronavírus e a responsabilidade comunitária

18 março 2020 - 21h15

A pandemia do covid-19 (coronavírus) que já deixou parte da Ásia e da Europa em quarentena e em estado de alerta, chega ao Brasil registrando sua primeira morte em São Paulo. No estado do Rio de Janeiro, o governador editou um decreto fechando espaços públicos, como cinemas e teatros, e chegou a dizer que a Polícia Militar poderia, se fosse necessário, evacuar as praias para impedir aglomerações de pessoas. Porém, a cena que vimos foi de grandes massas concentradas nas praias de todo o estado, incluindo Cabo Frio no último final de semana.

É importante ressaltar que o esforço, além de coletivo, deve ser individual. As ações de isolamento e as medidas de precaução e de higiene são um ato de civilidade e de responsabilidade comunitária, que colaboram para a proteção de outras pessoas. Ou seja, cada um é responsável por si e por quem está a sua volta. 

Para evitar a proliferação do vírus, o Ministério da Saúde recomenda medidas básicas de higiene, como lavar as mãos com água e sabão, utilizar lenço descartável para higiene nasal, cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando espirrar ou tossir e jogá-lo no lixo. Evitar tocar olhos, nariz e boca sem que as mãos estejam limpas são importantes medidas a serem tomadas.

No entanto, há de se questionar o que farão aquelas pessoas que não têm condições de se proteger. É sabido que na nossa cidade vive uma grande quantidade de pessoas em situação de rua, a qual não tem acesso a informações e nem a ações de prevenção. Aproximadamente 20% das moradias cabofrienses, segundo o IBGE, não têm acesso a água e a esgoto. 
Em 2019 participei de uma reunião na Casa de Passagem de Cabo Frio que falava do papel das instituições de caridade, em sua maioria religiosas, em promover ações de acolhimento das pessoas em situação de rua. Nessa ocasião, pude presenciar de perto o espírito solidário do nosso povo. 

Nós temos o fator da prevenção como trunfo. Ela será eficaz se feita principalmente com um olhar direcionado à população mais carente. É importante que a secretaria de saúde e de assistência social montem um gabinete de crise para formular um plano de contingência, qual coordene esforços na promoção de ações que levem acesso à informação, prevenção e alimentação a essas pessoas. 

Enquanto sociedade de maioria cristã, devemos lembrar dos ensinamentos e da vida de Cristo, que, quando questionado, nos ensinou um dos mais importantes mandamentos bíblicos: amar o próximo como a si mesmo. Não nos esqueçamos, portanto, desse preceito. Devemos seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde para proteger a nossa saúde e a dos nossos irmãos.