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Coluna

2015: o ano que não acabou - Servidor sem receber, aluno sem aula

13 junho 2020 - 14h59

No início desta semana, me deparei com uma cena revoltante. Uma criança com cerca de 11 anos vendendo bala no sinal. A dor foi maior, pois, quando eu disse que iria comprar, e não queria o produto, ela me advertiu dizendo que era para eu levar, pois só assim poderia voltar logo a sua casa. Essa situação me fez refletir e analisar a relação da cidade e do poder público com as nossas crianças e com os nossos servidores.

Tenho denunciado, desde 2015, que a prefeitura vem devendo. A defasagem do salário dos profissionais da educação evidencia o descaso da gestão municipal, o que ocasionou diversas greves da categoria, que são justas, pois lutam por um direito sagrado, o do salário, uma vez que o trabalhador deve ser valorizado e receber o seu sustento com honra e dignidade. Nesse contexto, é importante lançarmos um olhar para as crianças, a geração futura que a nossa cidade vai formar. 

Imaginemos uma criança que tenha se matriculada na rede pública municipal em 2015, na alfabetização. Hoje, em 2020, cinco anos depois, ela corre o risco de não ter sido devidamente alfabetizada e ter sérias dificuldades para ler, escrever, fazer contas e interpretar textos. E quem são os responsáveis por esse crime? Com certeza não são os profissionais da educação, que lidam, cotidianamente, com um cenário adverso de falta de mão de obra, escassez de recursos, desvalorização da profissão e abandono do poder público. 

O responsável é o modelo de gestão da administração municipal, que nunca se preocupou com o servidor nem com o futuro das crianças da nossa cidade. 
A única preocupação foi com a manutenção do poder dos grupos políticos. O modelo idealizado por Alair, Marquinho e seguido fielmente por Adriano não fez uma reserva de recursos e não criou um fundo de emergência sequer, pelo contrário, simplesmente inchou a máquina pública com portarias e fantasmas, desaparecendo com o fundo previdenciário do servidor aposentado. 

Não podemos ser ingênuos. Não é a pandemia a responsável pelo caos financeiro. Com esse pretexto, demitiram, injustamente, 3 mil funcionários contratados da educação. 

É importante esclarecer que as nossas contas já estavam descarrilhando muito antes e os funcionários já estavam sem receber devidamente desde 2015. Isso ocorreu, principalmente, por conta de uma gestão totalmente dependente do royalties de petróleo e que nunca deu importância para o aumento da arrecadação própria. Hoje, os responsáveis pelo caos usam a queda da arrecadação dos royalties como desculpa para o desastre financeiro. 

Solucionar o drama do funcionário público deve ser uma prioridade. A categoria possui importância imediata no atendimento à população e influencia diretamente na economia local. Deve ser criado, e encarado como prioridade, um Projeto Abrangente de Reposição de Matérias para os alunos da rede pública, levando em conta a defasagem do período de greve, visando colocá-los em iguais condições aos alunos da rede privada.

Neste momento, é essencial reconhecer quem são os verdadeiros culpados por prejudicarem essa geração. É fundamental enfatizar a importância do funcionalismo, a necessidade de readmitir os funcionários demitidos e ter a clareza de que a reposição de matérias e o estabelecimento de uma mudança radical no modelo de gestão são caminhos prioritários para recomeçar a nossa cidade.