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Coluna

Tragédia, indiferença e corrupção

28 julho 2020 - 20h23

A pandemia do novo coronavírus precipitou sobre as nossas cabeças uma sequência de tragédias que vão deixar marcas para sempre. A tragédia humanitária, sem dúvida, é a maior e mais dolorosa. A doença no Brasil já matou, praticamente, 90 mil pessoas desde o dia 12 de março quando foi registrada a primeira morte no país, de uma paciente de 57 anos, em São Paulo.

Quatro meses depois, perdemos mais brasileiros do que na Guerra do Paraguai, considerado o maior conflito armado internacional da América do Sul, travado entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai e que matou 60 mil brasileiros em cinco anos, segundo historiadores, se forem incluídos civis das  províncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso.

A comparação é inevitável diante da indiferença que muitos tem demonstrado em relação as vidas perdidas, como se por trás dos números, que acompanhamos, diariamente,  não existissem histórias interrompidas e a dor de famílias enlutadas que não tiveram o direito sagrado de velar seus mortos, se despedir, tocar, orar.

A visita ao site “inumeráveis”, um Memorial dedicado à história de cada uma das vítimas do coronavírus no Brasil, é um exercício de humanidade. Estão lá os sonhos, esperanças, a vida, que as estatísticas escondem, como a do David Lima Ramos, o Dadá, portador de Síndrome de Down, morador de São Pedro Aldeia. Ele era uma pessoa alegre e carinhosa, que não economizava cuidados e amava sem limites. Amou a Deus, amou a mãe e as irmãs Tatianna e Sophia, amou o sobrinho Victor, amou seus instrumentos musicais e amou também toda a cidade de São Pedro da Aldeia. Sua condição nunca foi um empecilho. Seus dons musicais eram incríveis! A inteligência e a educação, admiráveis. Dadá tinha um coração  bondoso e solidário. Ele encantava a todos que o conheciam e emanava amor por onde passava. Dadá cumpriu suas missões muito bem. Não só a de monitorar o trânsito do bairro onde morava mas, também, de amar a família incondicionalmente e de fazer companhia para mãe.

O IBGE, semana passada revelou que o coronavírus é o responsável por uma outra tragédia:  1,3 milhão de empresas que estavam fechadas (temporária ou definitivamente) na primeira quinzena de junho, 522,7 mil (39,4%) encerraram suas atividades por causa da pandemia, sendo que 518,4 mil (99,2%) eram de pequeno porte (até 49 empregados), 4,1 mil (0,8%) de porte intermediário (de 50 a 499 empregados) e 110 de grande porte (mais de 500 empregados).  
As micro e pequenas empresas têm papel fundamental para alavancar o crescimento do país. Os pequenos negócios são importantíssimos  para fomentar o desenvolvimento e contribuir com o avanço do Brasil, mas eles foram os que mais sofreram, não apenas com as medidas de isolamento social mas, principalmente, pela dificuldade de acesso ao crédito prometido pelo Governo Federal. 

As pequenas empresas, para se ter uma ideia,  são as que mais geram empregos no Brasil com carteira assinada, somando 54% dos empregos formais do país. O comércio concentra a maior parte das empresas, somando 41%. Além disso, é o setor de serviços que mais emprega mulheres. Os dados são do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e  mostram que de 7,3 bilhões de mulheres empregadas nas MPE com carteira assinada, 53% estão nas empresas de serviço.

O pequeno empresário e a pequena empresa precisam ter atenção especial, principalmente, nos municípios, onde estão mais sujeitos a ventos e tempestades, embora mais do que incentivos às empresas e ao empreendedorismo, os pequenos e micro empresários precisam de prefeitos que tenham a capacidade de gerir a coisa pública e de manter a roda da economia no município girando. Um governo que não paga salários aos servidores, que não tem um projeto de desenvolvimento e não consegue manter os serviços básicos em funcionamento vai colocar em colapso as empresas e a geração de empregos. Essa tragédia estamos vivendo na pele e não é provocada pelo coronavírus, mas pela incompetência de alguns prefeitos e pela corrupção.