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Coluna

Todos os vírus que precisamos vencer

19 maio 2020 - 14h33

O coronavírus já infectou 4,7 milhões de pessoas e matou 315 mil em todo o mundo. O vírus é o responsável por um das mais graves crises sanitárias da história da humanidade e, no Brasil, tem encontrado terreno fértil para se expandir graças a outros vírus que, infelizmente, tem infectado a sociedade brasileira: miséria, corrupção, ignorância, negacionismo,  que associados ao COVID-19 devem provocar a maior tragédia humanitária que este país já  assistiu.

Os números da infecção crescem a cada dia e a curva de contágio, descontrolada, parece  transformar o pico da doença numa incógnita, resultado da política negacionista e da ignorância de muitos que insistem em não cumprir as recomendações da Organização Mundial da Saúde e da comunidade científica que garantem que a única “vacina”, nesse momento onde não existe vacina é o distanciamento social.

O vírus da miséria também tem sido um poderoso aliado do COVID-19, esse visível a olho nu é a prova que a política e a economia não tem conseguido reduzir as diferenças, muito menos a distância abissal ente nossos cidadãos. Enquanto muitos, por total falta de consciência estocam álcool em gel em casa, outros tantos não tem água potável para lavar as mãos muito menos sabão. São pessoas que precisam trabalhar ou se arriscar nas filas da Caixa Econômica Federal para sacar R$ 600 ou R$ 1.200 para garantir o sustento da família. 

A corrupção, nesse contexto é, talvez, o maior aliado do coronavírus porque tem transformado, ao longo da nossa história e da história do mundo, autoridades que deveriam defender seu povo em genocidas. A  “Operação Favorito”, deflagrada semana passada pela Polícia Federal e que revelou o escândalo milionário de compra de respiradores e de favorecimentos a Organizações Sociais,  que administram a saúde no Estado, revela muito mais que a ação de um grupo criminoso. Mostra que a corrupção ainda é um vírus poderoso que provoca uma infecção que parece atingir todo o tecido social.

A relação perniciosa entre empresários e políticos corruptos parece baseada na frase do Barão de Rothschild: “Quando houver sangue nas ruas é hora de ganhar dinheiro". O banqueiro judeu radicado na Inglaterra  ficou rico com as guerras napoleônicas financiando as ofensivas e reações militares ao Imperador francês. Enquanto meio mundo morria, era mutilado nos campos de batalha, bem como países e povos eram subjugados, pilhados e saqueados, espalhando miséria, pobreza e fome pela Europa, Rothschild e sua família ficavam cada vez mais ricos. Quanto mais tempo durasse a guerra, melhor. A paz, tão almejada por todos, para o Barão era sinônimo de prejuízo.

A ciência vai vencer o coronavírus, não tenho dúvida, seja através de uma vacina, que já se anuncia ou de alguma droga, que tenha eficácia comprovada por autoridades científicas. É uma questão de tempo. Mas nós precisamos ir além e vencer os outros vírus que tem infectado a nossa sociedade  e  deixado muitas vítimas entre os cidadãos brasileiros, essas, talvez realmente incontáveis. Gente que morreu não só porque o remédio não chegou na unidade básica ou os respiradores não chegaram nas unidade de tratamento intensivo, mas porque as obras de saneamento não foram executadas nos bairros e os investimentos que garantiriam a qualidade de vida da população foram desviados para compra de coberturas em Miami ou para bancar candidatos comprometidos com um sistema que parece saudável mas que carregam o vírus que vai  infectar tudo assim quer assumirem o poder. É preciso cuidado.