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Coluna

Quem fecha escola condena o futuro

02 dezembro 2019 - 17h41

O Brasil fechou mais de 100 mil escolas em 15 anos, entre 2000 e 2015. O dado é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), sendo que praticamente a metade, 49.823 da escolas  fechadas funcionavam no campo.  O Estado do Rio  fechou 232 colégios rurais de 2010 a 2018.   Cabo Frio vai encerrar 2019 - mais um ano triste para a educação - com o fechamento de duas escolas: Professora Marília Plaisant, no Jardim Esperança e Luiz Lindemberg, no Guarani e o terceiro turno do Ensino Médio da Escola Municipal Arlete Rosa Castanho, na Vila Nova, voltada para alunos com deficiência auditiva.

A Escola Marília Plaisant foi fechada depois que parte do teto da unidade desabou. Pais e alunos já vinham denunciando o péssimo estado de conservação do prédio onde um muro qua amaçava desabar precisou ser escorado com madeira.  Os 466 alunos da Escola foram realocados em  unidades escolares no Jardim Esperança para conclusão do ano letivo. 

A Escola Luis Lindemberg foi demolida em março por problemas estruturais e os alunos transferidos para um imóvel alugado na Praia do Siqueira. A prefeitura prometeu, na ocasião, uma nova escola com capacidade para 850 alunos, em uma área construída de 3 mil m², com 12 salas de aula, sala de artes, quadra coberta e um anfiteatro para 280 pessoas, que ficará disponível para a utilização pela comunidade mas, só agora, nove meses depois, anuncia para o próximo dia 27 a licitação da obra, na mesma semana em que, por decreto, suspende as atividades da escola no próximo ano, ignorando a Câmara, o Conselho de Educação e a comunidade escolar.

A justificativa para o fechamento do Ensino Médio no terceiro turno da Escola Municipal Arlete Rosa Castanho é ainda mais triste: o  reduzido número de alunos. Cinco estudantes frequentam a turma e somente dois são moradores de Cabo Frio. Todos serão transferidos para a rede Estadual de Ensino. A política pública de educação do governo local, infelizmente,  contribui com o número exorbitante de escolas que são fechadas sem ouvir ninguém.

Os políticos que pensam apenas na próxima eleição e não tem compromisso com o futuro ignoram que só através da educação é possível melhorar a saúde, combater o preconceito, o discurso de ódio e a intolerância.  A nossa  educação — no campo e nas cidades — precisa dar um salto de qualidade mas é preciso desatar as amarras da  limitação orçamentária e adotar política de estado capaz de tirar as nossas escolas do atraso que vivem.

Os nossos jovens do Século XXI, cada vez mais conectados ao mundo digital, onde as informações chegam em tempo real e tem na palma da mão uma janela para o mundo, são obrigados a frequentar escolas arcaicas do Século XIX onde a tecnologia mais avançada é a do cuspe e giz e do mimeógrafo. A nossa escola, sem água, sem banheiros e até sem merenda, onde muito professores não recebem salários em dia, não forma ninguém, muito menos cidadãos. É preciso investir, modernizar, valorizar o educador e levar a educação a todos os cantos, a todas as crianças, jovens ou adultos, afinal é só através da educação e do conhecimento que vamos reduzir os abismos que nos separam e construir as pontes que nos levarão ao futuro.