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Coluna

Pacto pela democracia e pela paz

02 junho 2020 - 14h49

A polarização política que vive o Brasil nasceu na onda de insatisfação que tomou conta das ruas em junho de 2013. As ruas, historicamente ocupadas pela esquerda, naquele momento, também passaram a ser disputadas por grupos que se opunham tanto ao Partido dos Trabalhadores quanto aos demais movimentos esquerdistas que faziam oposição aos governos petistas. Estava sendo gerado, naquele momento,  as megamobilizações pró-impeachment de 2016 e, consequentemente a polarização que transformou a política brasileira  numa briga de torcidas e catapultou ao poder um presidente da extrema direita que, agora, ameaça a estabilidade das instituições e as nossa jovem democracia.

O radicalismo ressuscitou velhos e ultrapassados discursos e parece apostar na divisão para atirar o país num perigoso retrocesso com uma narrativa que não se sustenta de tão absurda. Não é preciso lembram que não estamos em 1964, quando o mundo se dividia em dois blocos - comunista e capitalista - em meio a Guerra Fria travada entre americanos e soviéticos.  A única ameaça real que temos diante de nós é uma crise na saúde pública provocada por uma pandemia que tem assolado  e destruído milhares de famílias  por esse Brasil afora. 

A guerra que estamos vivendo é contra um vírus que não tem bandeira e que tem deixado um rastro de angústia e dor. São pais, filhos, esposas, netos e sobrinhos que estão perdendo entes queridos sem ter a chance de uma despedida, de um último adeus. Gente que, nesse momento, sofre com alguém entubado numa UTI ou, pior, precisando de um respirador na fila de uma unidade de saúde qualquer.

O Brasil precisa de novos paradigmas, desafios, transições e renovações. Precisaremos desenvolver pensamentos que nos levem a um nível de consciência maior. Aprender com a dor é libertador, natural, nos leva à nossa essência, facilita o amadurecimento psicológico e espiritual, nos afasta dos gatilhos e dos artifícios de fuga da nossa realidade para uma realidade artificial, de ilusões e permissões não morais e antissociais. Fiquemos no real, no normal, no simples, no leve, na paz, na amizade, na harmonia, na delicadeza, na alegria, no bem querer. Busquemos qualidade de vida, justiça social e mais igualdade. Bota amor, pensa positivo, deseje o bem. 

Tudo isso só será possível através de um pacto pelo Brasil, pela democracia, pela liberdade e, acima de tudo, pela paz. O ódio não pode nos governar. Um povo só é forte unido nas suas diferentes matizes sociais, políticas e culturais. O mundo moderno já não tem espaço para ditaduras, golpes ou rupturas. Seria um vexame aos olhos do mundo. A nossa democracia e as nossas instituições tem se  mostrado fortes, tanto é que nesses 32 anos, tivemos dois impeachment e um presidente preso sem que a democracia fosse ameaçada. 

As nossas instituições estão salvaguardadas, ninguém é maior do que a Constituição, vivemos num Estado Democrático de Direito, devemos obediência à lei e ao devido processo legal.; Os poderes são independentes,  existem remédios constitucionais que funcionam como freios e contrapesos, justamente para um poder não se sobrepor ao outro. O  contraditório e a ampla defesa são garantidos, então, não há o que se falar em golpe.  Além do que, as forças armadas, são um braço do Estado e não um poder moderador, figura que não existe em nossa constituição. O STF é o poder garantidor da Constituição. 
 Cabe ao presidente, eleito democraticamente pelo voto, o gesto da união. Ele não pode incentivar milícias que se formam com a ideia de armar o povo para, através da bala, derrubar os poderes, calar a imprensa e criar desordem pública e desrespeito às leis e instalar o fascismo no Brasil. O que a sociedade espera do seu maior líder é um gesto de grandeza para que possamos vencer essa pandemia, salvar vidas e, aí sim, recuperar a economia e os empregos. Temos muito o que fazer mas é preciso deixar os discursos e as bravatas políticas para o palanque e a campanha eleitoral.

Diálogo também está faltando aos governos municipais. Cabo Frio ignorou, nesse momento grave a proposta  dos empresários da Associação de Hotéis que estão na iminência de demitir quatro mil trabalhadores do setor diante da falta de planejamento para retomada da economia local e de uma linha de crédito que atenda  o setor. Não existe planejamento, nem recursos para socorrer os empresários, mas tem que ter diálogo e respeito por uma classe que está há 70 dias com seus negócios fechados e que merecem, pelo menos participar das decisões governamentais. A nota divulgada pelo governo foi vexatória.

O absolutismo que dominou a prefeitura de Cabo Frio nos últimos quarenta anos não cabe mais. Desde o início da pandemia tenho destacado a importância do isolamento e a necessidade de postos de triagem, testagem da população,  hospital de campanha através do Consórcio da Saúde,  em parceria com a Marinha do Brasil, assim como a instalação de barreiras sanitárias de verdade, e de  um plano de recuperação econômica e principalmente, da criação de um cinturão de proteção social que garanta as famílias em vulnerabilidade condições de suportar o isolamento. Os casos na região começam agora a subir. Os municípios já atingiram os mil casos de COVID-19 e os prefeitos começam a flexibilizar as medidas diante de um futuro que parece cada vez mais incerto e sombrio.