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Coluna

As sequelas sociais do COVID-19

24 março 2020 - 15h53

Estamos à beira do abismo. São tempos difíceis que vão perdurar para além da pandemia que assusta o mundo. Nunca mais seremos os mesmos. E precisamos encarar o futuro com uma certeza: é preciso mudar para enfrentar o que está por vir após a pandemia passar. O COVID-19, infelizmente, vai nos deixar mais do que mortos, mas profundas sequelas sociais: recessão, desemprego, miséria violência e um sistema de saúde ainda mais combalido. Os mais carentes, serão os mais atingidos também depois da crise e muitas das famílias que ascenderam a classe média nas últimas décadas vão voltar a base da pirâmide social. 

Olhando para o abismo vamos descobrir que ele é mais profundo do que imaginamos. É impressionante a massa de dados que mostram, de maneira inequívoca, que a perda do trabalho regular faz mal à saúde. O desemprego, a falta de acesso a bens materiais e as condições de moradia e educação – de acordo com pesquisas - são os fatores mais associados às condições de saúde. Essas mesmas pesquisas mostram que desempregados adoecem mais. Têm mais hipertensão arterial, níveis de colesterol mais altos; bebem mais, fumam mais, tendem à obesidade (nem sempre desemprego é passar fome) e ao sedentarismo. 

O emprego é um fator de equilíbrio emocional, por isso, desempregados tem mais tendência a desenvolver ansiedade e depressão. O desemprego, de acordo com especialistas, adoece a família. Os filhos pequenos de desempregados têm mais chances de adoecer; a mortalidade infantil nestas famílias é maior; a mortalidade entre mulheres de desempregados também é mais alta, assim como é maior a mortalidade entre os próprios desempregados, vítimas de doença cardiovascular, acidentes, suicídios.

O mundo está doente e é preciso que cada um de nós faça a sua parte para impedir o avanço do coronavírus e reduzir as sequelas da pandemia no futuro.  Adotar o isolamento social, ficando em casa, é a única maneira de achatar a curva de contágio. Não é exagero, nem histeria. A velocidade de contágio do COVID-19 é rápida e o número de pessoas doentes pode levar o sistema de saúde ao colapso. Vivemos em situação de risco. A questão é matemática: se  um por cento de mil pessoas precisar de hospital, serão apenas dez leitos. Mas se dez mil pessoas forem infectadas, serão cem pessoas que vão precisar de atendimento em UTIS e de respiradores. O nosso sistema não tem capacidade para atender a todos. Os hospitais terão que escolher quem vai viver e quem vai morrer. Lembre-se, UTIS lotadas não poderão receber vítimas de infarto, acidentes e outros problemas do nosso dia a dia.

Essa crise, que tem revelado o lado egoísta e mesquinho de muita gente, que corre aos  supermercados para estocar comida e as farmácias para comprar para si todo o álcool em gel disponível, e que ignora as determinações das autoridades sanitárias e insiste em ir para a praias fazer turismo e para os barzinhos como se o momento fosse de balada, tem  exposto também o lado humano e solidário dos brasileiros diante das grandes tragédias. O site de cadastro de voluntários para o enfrentamento do coronavírus, no Rio,  registrou mais de dez mil inscritos só nas primeiras 24 horas de funcionamento. Entre o voluntariado, 56% são estudantes e 44% são graduados, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e outras formações na área da saúde.

Os voluntários reforçarão as equipes das unidades de assistência a pacientes em decorrência da infecção pela Covid-19 em todo o estado. Para o secretário de estado de Saúde, Edmar Santos, salvar vidas é o que está motivando a população a se candidatar. Só para atualizar os números, até o fechamento desta coluna, nesta segunda-feira, o site registrava a inscrição de 22.738 voluntários dispostos a ir para a linha de frente do combate ao COVID-19.  Os nossos aplausos a cada uma dessas pessoas e a todos aqueles profissionais da saúde e da segurança que já estão em combate em defesa das nossas vidas.