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Coluna

A Toca do Coelho de Alice

24 junho 2020 - 13h57

O município é a base do desenvolvimento do país. Não é sem motivo que um dos primeiros movimentos que surgem, espontaneamente, quando uma região desponta pelo crescimento econômico, é o de emancipação política. A presença de um governo local próximo se constitui num eficiente instrumento de progresso, afinal, o município é o nosso lugar comum.  União e Estado são figuras abstratas. Concreto é o município. É nele onde as pessoas vivem, onde estão as empresas e os empregos e também onde as crises e os problemas são mais sentidos.

Cerca de 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. Metade da população, em torno de 104 milhões de pessoas, não têm serviços de coleta de esgoto. Essa precariedade de saneamento básico prejudica os índices de desenvolvimento humano (IDH) e resulta em imensos prejuízos sociais e econômicos. Cálculos da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que, para cada R$ 1 investido em saneamento, gera-se uma economia de R$ 4 em gastos com saúde. 

A OMS estima, entretanto, que anualmente 15 mil pessoas morrem e 350 mil são internadas no Brasil todos os anos devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento básico. A pandemia do novo coronavírus revelou o tamanho da crise na saúde pública e como a falta de investimentos no setor agrava a situação exponencialmente.
É preciso mudar essa realidade e cobrar de prefeitos e vereadores as mudanças estruturais que atendam às nossas reais necessidades. Este ano vamos às urnas e o momento é mais do que oportuno para esse debate. Não podemos continuar elegendo pessoas que veem na política apenas o caminho mais curto para enriquecer. É preciso eleger os que tem  compromisso com a população e responsabilidade com o dinheiro público.

As diferentes pesquisas de opinião que  realizadas na região revelam um dado mais interessante  do que o posicionamento dos candidatos na preferência do eleitorado, o tema  que o eleitor considera prioritário e que, certamente, vai ocupar a maior parte dos debates na campanha que se avizinha: saúde pública, seguido de segurança e saneamento básico.

Os candidatos as prefeituras e às câmaras municipais terão que apresentar propostas convincentes para uma população que vem sentido na pele, não é de hoje, os efeitos do descaso, da incompetência e, principalmente, da corrupção que tem esvaziado os cofres públicos e impedido não só a compra de medicamentos, remédios e equipamentos  mas também o pagamento dos salários dos profissionais da saúde que atuam na linha de frente do combate ao coronavírus ou os que atuam na atenção básica.

 Eu sou um defensor do consórcio intermunicipal de Saúde, onde municípios de regiões próximas se associam para gerir e prover conjuntamente os serviços de saúde para a população das cidades participantes. O consórcio é, comprovadamente, uma forma inovadora de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) porque garante o atendimento  do cidadão, mesmo que o município onde ele vive não possua o serviço de Saúde que necessita. Além disso, com o uso da tecnologia, há redução no tempo de espera e é possível priorizar os casos mais graves.
 As soluções existem mas é preciso encarar a realidade e, principalmente, fugir dos discursos fáceis que tentam nos vender num mundo de maravilhas que não existe.