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Cabo Frio

Igreja apresenta projeto para área da Casa Paroquial, demolida há oito anos

Prédio terá memoriais, sala para o Imupac e prédio com salas para a paróquia

17 outubro 2019 - 20h10
Igreja apresenta projeto para área da Casa Paroquial, demolida há oito anos

RODRIGO CABRAL

Oito anos após jogar ao chão uma construção datada de 1927, a Igreja Católica desenha novo futuro para a área onde funcionava a Casa Paroquial, em Cabo Frio. O projeto prevê a construção de memorial da cidade, da Igreja e da própria Casa Paroquial, uma sala para o Instituto Municipal do Patrimônio Cultural (Imupac) e harmonização entre as duas fachadas, que ainda estão de pé. O prédio seria inteiramente utilizado para finalidades da Paróquia Nossa Senhora da Assunção.
 
Assinada por Gustavo Rosa, a proposta arquitetônica recebeu parecer técnico favorável do Imupac. Em seguida, foi aprovada por unanimidade pelo colegiado do Conselho Municipal do Patrimônio Artístico Cultural de Cabo Frio (Cmupac).
 
A documentação foi enviada para a procuradoria municipal. Espera-se que a aprovação final venha com um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) a ser firmado com o Ministério Público, já que uma ação judicial, movida pelo MP, desenrolou-se após a demolição. 
O pároco Marcelo Chelles afirma que o projeto foi amplamente debatido.
 
– Desde 2008, a paróquia de Nossa Senhora da Assunção, havia solicitado aos órgãos competentes a demolição da casa paroquial para dar novo uso àquele espaço. No entanto, no ano de 2011, antes da autorização definitiva, a casa foi demolida. De lá para cá, tem-se tentado resolver o assunto, que foi parar na esfera judicial. Com a intenção de encontrar um termo justo para a solução do problema, em 2015, eu apresentei um projeto, que contemplava a construção de um prédio que respondesse a algumas das necessidades da paróquia em vista do serviço social e do serviço pastoral, além da criação de um espaço para guardar a memória da Paróquia, que tem sua origem no século XVII e da Casa dos Padres do século XX. 

Antes de dar o parecer favorável, o Imupac fez uma série de exigências. Acatadas as orientações do órgão, um novo projeto, com as adaptações, foi apresentado ao Cmupac, que aprovou.

– Durante a exposição, levando em consideração os impactos que a demolição havia causado, o Imupac fez algumas exigências, como, por exemplo, o afastamentos da fachada do prédio, para dar destaque ao espaço memorial, bem como tama solicitação de uma sala para que possa abrigar o próprio Instituto do Patrimônio e de um espaço para exposição da história de Cabo Frio. Todas as exigências foram aceitas pela Igreja e os citados espaços vão funcionar por tempo determinado e de acordo com as normas de cessão de uso – explica o padre Marcelo Chelles. 

Segundo o arquiteto Gustavo Rosa, o projeto foi pensado de forma a diminuir “o máximo possível” a interferência na paisagem, destacando a fachada térrea, que é remanescente da Casa Paroquial.

Já a cor branca, sustenta o arquiteto, foi escolhida para fazer a harmonia entre o conjunto arquitetônico formado pela Igreja Matriz Histórica, a Igreja Matriz Auxiliar e o prédio da Casa Paroquial. 

– Na nova fachada térrea da Avenida 13 de Novembro, utilizamos as mesmas esquadrias da fachada remanescente, com algumas variações de materiais e desenho, para ficar caracterizado ser uma nova fachada.

Para obter também maior destaque e importância à fachada térrea remanescente da Casa Paroquial,  afastou-se a lâmina do Prédio cinco metros da Rua Raul Veiga e 4,5  da Avenida 13 de Novembro. Outro elemento de recuperação da tipologia da Casa Paroquial,  foi projetar a cobertura do térreo que cobre os Espaços Memoriais e a Sala do IMUPAC, com telhas cerâmicas de cor vermelha como do Período Colonial, com madeirame aparente.

O Ministério Público chegou a requerer a reconstrução exata da  Casa Paroquial.  Isso, porém, não seria possível hoje, na avaliação de Caroline Machado, diretora do Imupac.
 
– Faltam dados [que possibilitem uma reconstrução exata]. Estaríamos fazendo uma falsificação histórica. Naquela época, poderia ser. Mas o processo judicial demorou muito tempo – disse.

Uma agressão na memória

A demolição da Casa Paroquial, na madrugada de 14 de fevereiro de 2011, um sábado, casou polêmica e revolta. A Folha publicou duas capas, em dias seguintes, com manchetes sobre o tema: “Igreja destrói a história” e “Igreja é multada por destruição”.  Antes de ser demolida, a Casa Paroquial servia como ponto de atendimento de projetos sociais da Igreja.
 
A primeira reportagem lembrava que o artigo 28 da Lei Municipal 303/1981  protege a integridade de quaisquer construções com mais de 50 anos de idade. Entrevistada pelo jornal, Cristiana Ventura, à época diretora do Imupac, demonstrava incredulidade com o acontecimento.
 
– Qualquer demolição precisa de uma licença da prefeitura. Neste momento temos de encontrar uma maneira de resgatar uma leitura histórica que foi perdida. O que mais surpreende é que a proteção da lei não foi o suficiente para garantir a proteção do patrimônio que pertence a toda a população.
 
 

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