Governo Adriano, eleito prometendo revolucionar Saúde, coleciona crises no setor

Veja linha do tempo com as principais polêmicas do setor nos últimos meses

Publicado em 15/03/2019 às 22:19

TOMÁS BAGGIO

A expectativa dos eleitores era indiscutivelmente grande quando o ortopedista Adriano Guilherme de Teves Moreno (Rede) assumiu, no dia 17 de julho do ano passado, a chefia do governo municipal. O novo prefeito tinha sido eleito nas eleições suplementares realizadas no mês anterior com 34.529 votos, contra 32.187 votos do ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), cujo mandato havia sido cassado, dando origem àquela eleição.

Médico querido pelos pacientes, Adriano fez sua campanha tendo como base a saúde, sua própria área de atuação profissional. Mas, desde o começo do governo, o setor não deu descanso e, com oito meses de gestão, coleciona crises e polêmicas.

– Eu não criei esse caos em seis, sete meses de governo, não. Esse caos na saúde de Cabo Frio... a saúde não se destruiu em seis meses, não. Ela vem sendo destruída ao longo dos anos nesse município – afirma o prefeito Adriano Moreno em entrevista concedida à Folha (confira a entrevista completa clicando aqui).

A primeira polêmica relacionada ao setor foi criada com poucos dias de governo. Em 1º de agosto do ano passado, o então secretário de Saúde, Antônio Macabu, amigo pessoal do prefeito e integrante da equipe de transição de governo, disse em uma entrevista coletiva que o Hospital da Criança, que fica no Guarani, fechado há mais de dois anos, não seria reaberto, conforme havia sido prometido na campanha eleitoral.

A declaração, aliada ao fato de um muro ter sido construído em frente ao local, causou rebuliço. Declarações controversas a respeito do abastecimento do estoque de medicamentos e insumos hospitalares também contribuíram para estabelecer a crise.

A gestão de Macabu à frente da Secretaria de Saúde duraria pouco. Bastaram 48 dias de mandato para que Macabu fosse substituído por Márcio Mureb (a versão oficial foi de que Macabu pediu para sair por motivos pessoais). Antes de ser secretário, Mureb era diretor de um hospital particular da cidade.

A situação parecia estar mais calma quando, em 4 de dezembro, o vereador Rafael Peçanha (PDT), líder da oposição na Câmara, deu entrada no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e no Ministério Público Estadual (MPRJ) com um pedido de suspensão do contrato para aluguel de ambulâncias. Apesar do pedido, o contrato foi mantido.

Logo no dia seguinte, o diretor do Hemolagos, Marcelo Paes, disse que a situação do banco de sangue estava se tornando insustentável com os seguidos atrasos no pagamento dos repasses da Prefeitura de Cabo Frio. Após a reportagem os repasses voltaram a ser feitos. No momento, segundo Paes, estão em dia.

Outra denúncia foi feita em 15 de janeiro, quando a direção da clínica Medscan, especializada em exames laboratoriais e de imagem, disse que iria entrar com uma denúncia formal no Ministério Público contra a Prefeitura de Cabo Frio com a acusação de que a Secretaria de Saúde estaria direcionando os exames e procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma outra clínica. Após semanas de acusações e ameaças, representantes do governo se reuniram com as duas clínicas e o impasse foi resolvido.

A situação piorou quando uma série de mortes no Hospital da Mulher durante o mês de janeiro veio à tona no dia 19 daquele mês. Após uma família conceder entrevista alegando que houve demora e negligência no atendimento, o Hospital da Mulher divulgou uma nota dizendo que “os recentes óbitos de nascituros entre o dia 1º de janeiro de 2019 até a presente data ocorreram por diversos fatores: ausência de pré-natal, doenças sexualmente transmissíveis contraídas pelas genitoras e o consumo de substâncias entorpecentes”.

Pegou mal. No dia seguinte, a mesma família que havia concedido a entrevista voltou a falar.

– Não concordo com isso. A gente não usa droga, não tem doença transmissível, nada disso. Fizemos o pré-natal todo certinho, foram sete consultas e estava tudo bem com o bebê. A gente se sente mal por passar por tudo isso e ainda estarem acusando a gente – disse Anderson Rodrigues, que perdeu o filho Thiago após a mulher dele, Gilmara Rocha, ter ficado internada por três dias no Hospital da Mulher.

Dois dias depois, o secretário de Saúde se reuniu com vereadores e anunciou uma auditoria no Hospital da Mulher. O resultado não foi divulgado até hoje. Na sequência, a Câmara Municipal e a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) abriram Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI’s) para apurar as mortes no Hospital da Mulher. Os relatórios das duas CPI’s estão em andamento.

O último caso que ganhou repercussão negativa foi a morte da menina Gabrielle Biral, de 12 anos, no dia 4 deste mês. A doença foi detectada em exame realizado em Cabo Frio, mas, segundo a família de Gabrielle, a equipe médica do Hospital da Mulher teria dito que o exame havia dado negativo, chegando a informar que Gabrielle tinha apenas enxaqueca forte.

– Tudo que aconteceu foi um grande absurdo. Se tivessem tratado a meningite desde o começo ela estaria aqui com a gente. Foi uma negligência muito grande – afirmou Giselle Biral, irmã de Gabrielle, em entrevista à Folha.

A Prefeitura respondeu dizendo que ela foi tratada adequadamente para meningite.

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