Governo em chamas: semana termina com secretário demitido, levante contra o prefeito, ataques e greve

Saída de Cláudio Leitão foi sucedida por troca de acusações; ex-secretário vai falar em entrevista coletiva

Publicado em 11/05/2019 às 09:50

TOMÁS BAGGIO

A semana mais conturbada do governo Adriano Moreno até agora terminou com demissões e uma série de ataques. O secretário de Educação, Cláudio Leitão, não resistiu ao embate público com o secretário de Fazenda, Antônio Carlos Vieira, e com o próprio prefeito, e foi demitido junto com a subsecretária Denize Alvarenga. Após o anúncio da demissão, a equipe da Secretaria de Educação divulgou uma nota no site oficial e nas redes sociais contra o prefeito e em favor do ex-secretário. No fim da tarde a equipe do prefeito assumiu o controle das contas e substituiu a postagem pela nota oficial da Prefeitura.

A demissão ocorreu depois que o prefeito determinou o pagamento parcial dos funcionários da Educação, no caso, apenas dos concursados, dizendo que não havia dinheiro para pagar todos de uma vez. Cláudio Leitão se recusou a cumprir a ordem alegando que o sindicato da categoria havia rejeitado o pagamento fracionado, e disse que só iria efetuar o pagamento quando tivesse o dinheiro para depositar os salários de todos os servidores no mesmo dia.

As exonerações foram anunciadas em uma nota divulgada pela Prefeitura às 15h19 dizendo que "o motivo (da demissão) foi a recusa em efetuar o pagamento dos servidores conforme o calendário determinado pelo prefeito Dr. Adriano Moreno". Por volta das 16h a Secretaria de Educação rebateu e divulgou uma nota intitulada "Seme esclarece sobre o real motivo do pedido de exoneração do Secretário". O texto dizia que "os motivos apresentados para a saída não são verdadeiros" e que se tratava de “cortina de fumaça, tendo em vista que, desde o início da gestão, ficou acordado entre Seme e Prefeitura em não pagar de forma fracionada os servidores da educação".

"O motivo real é que o então Secretário, Cláudio Leitão, vem cobrando sistematicamente da Secretaria de Fazenda que os repasses dos recursos próprios da Educação, da ordem de 25% segundo preceito Constitucional, sejam enviados à pasta dentro do prazo para assim serem honrados os compromissos, incluindo assuntos relacionados à folha de pagamento. Por conta destas questões e da negativa de resolução por parte da Secretaria de Fazenda, notificada diversas vezes pela Seme, com cópias enviadas à Procuradoria e à Controladoria, o Secretário Cláudio Leitão pediu sua exoneração para o prefeito.O então secretário informa que convocará a imprensa na próxima semana, para uma coletiva, para expor todos os fatos", informou a nota da Educação, que foi retirada por volta das 17h30 e substituída pelo comunicado anterior da Comunicação da Prefeitura.

Após assinar a exoneração, o prefeito Adriano Moreno foi até o Banco do Brasil para pedir a transferência dos recursos ainda ontem para as contas dos servidores concursados, deixando contratados e comissionados para a próxima semana, mas, ao sair, disse que não conseguiu fazer a operação financeira.

- Fui para o banco, mas não conseguimos fazer o pagamento hoje. Conversamos com a direção do Banco do Brasil e na segunda-feira cedo vamos nomear o novo secretário, um tesoureiro, para poder a gente fazer nova senha e realizar o pagamento dos funcionários da Educação. O pagamento será feito o mais rápido que a gente conseguir. Lamento este fato porque quando a gente começa o governo, a gente monta uma equipe e não espera que essas coisas aconteçam no meio do caminho, mas infelizmente isso faz parte do processo político em todas as esferas. Mas vida que segue. A prioridade é a cidade - disse o prefeito.

Fontes do governo municipal afirmam que as conversas para a nomeação de um novo titular para a pasta já começaram. Um dos nomes cotados é o do secretário de Educação de São Pedro da Aldeia, Alessandro Teixeira, que foi secretário de Educação em Cabo Frio na gestão do ex-prefeito Marquinho Mendes.

Demissão pela internet

Denize Alvarenga disse que ela e Cláudio Leitão ficaram sabendo da exoneração por meio da nota publicada nas redes sociais da Prefeitura. A ex-subsecretária declarou que o prefeito entrou em contato com Leitão pela manhã, por telefone, determinando o pagamento imediato apenas dos servidores concursados, deixando os demais para depois. Ainda de acordo com Denize, Leitão colocou o cargo à disposição após se recusar a cumprir a ordem, mas não teria sido comunicado imediatamente da exoneração. 

- Não vejo nenhum problema (em saber da demissão pela internet) porque considero que o motivo é nobre. Desde que chegamos aqui, todos sabiam que havia alguns limites. Um deles era não aceitar atrasos nos pagamentos e nem o fracionamento dos pagamentos. Se esse é o preço a ser pago, que seja. Estou muito tranquila - disse Denize.

Leitão não quis dar entrevista ontem, mas reiterou que irá convocar uma coletiva de imprensa na próxima semana.

Servidores da Educação em greve

O atraso no pagamento dos salários fez com que os servidores da Educação tivessem decretado greve ainda na noite de quinta-feira. Ontem pela manhã, representantes do sindicato da categoria foram recebidos pelo prefeito Adriano Moreno no gabinete. Eles pediram reajuste salarial de 21%, referentes às perdas pela inflação nos últimos cinco anos. Ouviram do prefeito um pedido de tempo para a realização de um estudo de impacto financeiro. Uma nova reunião foi marcada para o dia 17, às 15h, para uma resposta (o prefeito irá se reunir no mesmo dia, às 10h, com os sindicatos que representam as demais categorias para tratar do mesmo tema).

Ainda pela manhã, antes das demissões de Leitão e Denize, a Secretaria e Educação divulgou um balanço informando que, das 90 escolas da rede municipal, 46 unidades enviaram relatórios sobre adesão à greve. Destas, cinco estavam com funcionamento normal, 26 com funcionamento parcial e 15 com paralisação total.

Semana conturbada

Os últimos atritos internos no governo Adriano começaram ainda na semana passada, com a divulgação da foto de um encontro informal entre o então secretário de Educação, Cláudio Leitão, o secretário de Turismo, Radamés Muniz, e o vice-prefeito, Felipe Monteiro, em um happy hour em que estava presente o ex-prefeito Marquinho Mendes. 

Alguns dias depois, mais uma confusão: desta vez com um áudio vazado em que o secretário de Turismo fazia duras críticas ao governo e ao prefeito, e dizia já ter pedido, inclusive, para ser demitido. 

Já na quarta-feira a Secretaria de Educação divulgou uma nota se solidarizando com os servidores que anunciaram greve por causa do atraso no pagamento dos salários e, além disso, alfinetando o secretário de Fazenda. Foi o começo do fim de Leitão e Denize no comando pasta.

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