​Governo Adriano: Silêncio total sobre saída de Duca

Notícia sobre queda do secretário de Governo não foi comentada pelo prefeito, vereadores e nem pelo próprio Duca

Publicado em 12/03/2019 às 09:07

Silêncio total no meio político de Cabo Frio sobre a possível saída do secretário de Governo da Prefeitura, Luiz Eduardo Tavares Monteiro, o Duca. A exoneração dele, que já vinha sendo comentada desde o início do ano, foi dada como certa na última sexta no blog História, Música e Sociedade, do professor José Francisco de Moura, o Chicão. Mas, ontem, ninguém comentou o assunto. O governo municipal não disse nem mesmo se a informação procede.

– Ainda não há nada oficial – limitou-se a dizer a assessoria da Prefeitura, após a reportagem da Folha solicitar uma entrevista com o prefeito Adriano Moreno ou um posicionamento sobre o caso por meio de nota.

O próprio Duca foi procurado pela reportagem mas não atendeu o telefone e nem retornou a mensagem deixada. 

“Cansado de tanta crocodilagem o secretário de governo Duca Monteiro entregou o cargo. Dr Adriano, o maior traidor da história de Cabo Frio, aceitou. Dr Adriano, segundo consta, chamou Duca para ser uma espécie de assessor especial junto dele, o que Duca não aceitou”, disse Chicão em sua postagem. 

 O professor de História aponta o secretário de Fazenda, Antônio Carlos Vieira, o Cati, como pivô da mudança no primeiro escalão, dizendo que ele “está por trás da queda de Duca”. De acordo com a postagem, a articulação teria o apoio de vereadores.

“A população, que não vivencia política, deve saber de uma coisa. Por que estavam ambicionando a Secretaria de Governo? Porque é através dela que se pressiona os secretários a nomearem pessoas indicadas pelos vereadores. E os vereadores estão furiosos com o processo seletivo e querem colocar seus cabos eleitorais na máquina. Sem isso eles acham que não se reelegem em 2020. Por isso eles ameaçam o governo e a CPI do Hospital da Mulher é um exemplo”, disse Chicão.

A reportagem tentou falar com o secretário de Fazenda, mas ele não atendeu as ligações e não retornou a mensagem deixada em seu telefone. A assessoria da Secretaria de Fazenda disse que ele não iria comentar, e orientou que o contato fosse feito por meio da Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura.

A Folha também tentou contato com o presidente da Câmara Municipal, vereador Luis Geraldo (PRB), para falar sobre a atuação dos vereadores no caso, mas ele também não atendeu. Via assessoria, disse que “não cabe opinar sobre essa questão, pois trata-se de um cargo de confiança do prefeito”. Perguntado se a Câmara influenciou de alguma forma na possível mudança, ou se está atuando na composição para a escolha do novo nome, não houve resposta.

Também procurado, o vereador Miguel Alencar (PPS), líder do governo e tido como possível substituto de Duca na Secretaria de Governo, disse, primeiramente, que estava em uma reunião, e depois não voltou a atender as novas tentativas de contato.

“Os vereadores também querem que suas empresas voltem a prestar serviços para a prefeitura, como nos tempos anteriores. É a Secretaria de Governo que controla as licitações da Prefeitura. Logo, os objetivos dos que vibram com a queda de Duca são os piores possíveis para a nossa sociedade. São motivos pessoais inconfessáveis”, postou Chicão, argumentando ainda que “por tudo isso, o que se avizinha pela frente é uma crise política avassaladora para o governo, crise esta que poderá deixar grandes sequelas”.

O governo municipal não comentou as declarações do professor José Francisco de Moura.

Duca Monteiro é empresário e foi um dos principais articuladores da eleição do prefeito Adriano Moreno nas eleições suplementares realizadas no ano passado. Ele assumiu a Secretaria de Governo para ser o atitulador político do governo municipal e coordenar os projetos da administração pública municipal, mas vinha sofrendo desgaste com seguidas reclamações por parte de vereadores. Antes de ser homem forte do governo Adriano, Duca tinha sido secretário no governo Alair Corrêa (2013-2016), primeiro de Projetos Especiais, e depois de Serviços Públicos. Ele se desligou daquela gestão em 2014, e voltou a ocupar cargo público em 2017, com a eleição de Adriano Moreno.

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