‘É o retorno do Bernardo Ariston político’, diz radialista

Ex-deputado, que vai escrever coluna na Folha, fala sobre trajetória e planos para o futuro

Texto e foto: Tomás Baggio
Publicado em 27/01/2019 às 10:46

A experiência de ter sido deputado federal por dois mandatos ainda mexe com Bernardo Ariston. Foram oito anos intensos e que o colocaram no olho do furacão. Afinal, foi presidente da Comissão de Minas e Energia em um período que antecedeu o estouro de diversos escândalos ligados ao setor,
incluindo a Operação Lava Jato. E mesmo com tudo isso, afirma que saiu ileso.

– Eu estava no olho do furacão mesmo. Sentia que alguma coisa aconteceria na frente. Não tive problema porque não participei de sacanagem – afirma.

Ariston está voltando a escrever a coluna na Folha que assinava no tempo em que era deputado. Também está ativo como radialista na Rádio Litoral FM, em que é o proprietário, e voltou a se movimentar nos bastidores da política;

– Esse é o retorno do Bernardo Ariston político. Mas não tenho nenhum plano definido. Política é processo, destino e viabilidade. Se eu não estiver no processo, não terei viabilidade. Veja a entrevista a seguir:

Folha dos Lagos – Gosta de escrever artigos, como voltará a fazer na Folha?

Bernardo Ariston – Quando eu fui parlamentar assinava uma coluna na Folha dos Lagos. Isso vai montando o seu pensamento, as pessoas passam a te conhecer sob uma outra ótica. Recebi o convite para retomar a coluna com alegria. É mais uma vertente pra explorar e colocar o pensamento. A Folha é um veiculo consagrado, as pesquisas mostram isso.

Folha – Como resume sua trajetória política?

Bernardo – Nasci em berço politico, em uma família de esquerda, perseguida pela Ditadura Militar. Convivi com grandes figuras da política nacional. Quando adolescente, fui estudar em colégio interno em Petrópolis, ali percebi que gostava de política, tomei gosto. Fui ter a primeira oportunidade aos 18 anos, como assessor parlamentar na Câmara Municipal do Rio. Na faculdade participava do diretório acadêmico e fiz parte do movimento dos
caras pintadas, o fora Collor. Em 1996 assumi a Secretaria de Turismo de Arraial do Cabo (governo Renato Vianna). O governo foi muito complicado, acredito que o ponto alto foi projeto que desenvolvimentos, colocando o título de Capital do Mergulho, que não era apenas um slogan, era um projeto
estruturante com base no turismo, pensando no futuro. Na eleição seguinte fui candidato a vice do Renato (eleição vencida por Henrique Melman no ano 2000). Daí então eu fui convidado para uma diretoria na TurisRio e comecei a pensar em me candidatar. Saí candidato a deputado federal em 2002
(eleito pelo PSB com cerca de 89 mil votos) e depois fui reeleito em 2006 (pelo PMDB com cerca de 65 mil votos). Depois disso disputei a eleição de 2010 (derrota pelo PMDB, com cerca de 11 mil votos), que era uma eleição que eu não queria disputar, mas me senti pressionado e até ameaçado
pelo partido, e a última foi em 2014, para deputado estadual (derrota pelo PR com cerca de 5 mil votos).

Folha – No seu segundo mandato como deputado federal o senhor estava no olho do furacão. Membro do PMDB, foi presidente da Comissão de Minas e Energia, que é uma das mais importantes e disputadas... conviveu de perto com pessoas que viriam a ser implicadas em investigações como a Operação Lava Jato. Como foi aquele momento?

Bernardo – Eu fazia parte do rodízio entre os deputados do partido para as comissões. Foi quando surgiu em 2009 a vaga para a presidência
da Comissão de Minas e Energia. Não foi uma escolha, a vaga ficou disponível e eu estava no rodízio. Fui estudar sobre o assunto e tive a oportunidade de representar o parlamento brasileiro muitas vezes no exterior. Agora, ali, de fato, estava no olho do furacão mesmo. Sentia que alguma coisa aconteceria mais pra frente. Basta dizer que meus dois antecessores na presidência da comissão e os dois sucessores tiveram problemas
seríssimos, inquéritos na Justiça e tal.

Folha – E você?

Bernardo – Eu não tive porque não participei de sacanagem.

Folha – Se recusou a fazer alguma coisa?

Bernardo – Não me recusei a fazer nada porque minha postura não permitia que alguém me abordasse com determinadas situações.
As pessoas sabiam quem eu era e como me comportava. Como eu também não tinha nenhuma informação concreta, só ouvia coisas, e não se pode dar credibilidade a tudo que se ouve, eu também não tinha condições de botar o dedo na ferida, denunciar, essas coisas. Mas sentia que o clima
não era legal.

Folha – Alguma vez viu alguma coisa de errado?

Bernardo – Não. Uma vez o diretor de uma empresa que queria alugar uma plataforma para a Petrobras me procurou pedindo que eu fizesse uma aproximação dele para alugar uma desses plataformas. O que eu fiz foi marcar uma reunião pública na agenda do ministro. Pensei em me garantir ao
dar publicidade ao fato. Então estava na agenda pública, não era nada escondido. O camarada ficou constrangido de falar qualquer assunto, porque tinha mais gente na reunião. Depois ele me procurou e falou: ‘você acabou me atrapalhando’. Eu disse a ele que não atrapalhei nada, apenas garanti a mim e aos interesses da nação.

Folha – Seu nome foi citado em uma delação. Qual seu esclarecimento quanto ao assunto?

Bernardo – Tive meu nome citado por um diretor da Odebrecht que disse que um governador teria pedido recurso para a minha campanha. R$ 100 mil reais. Eu nunca pedi dinheiro pra ninguém de caixa dois pra campanha. Muito menos pra esse tal diretor. Como ele disse que foi um governador que pediu, imaginei que fosse o Sérgio Cabral. Só que eu rompi com o Sérgio Cabral no começo do mandato por causa do Hospital de Barra de São João, porque tínhamos recuperado o hospital e o então secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, que também está preso, acabou com tudo e acusou a direção
do hospital. Eu saí em defesa do diretor porque conhecia tudo ali, e rompi com Sérgio Cabral em um discurso na tribuna da Câmara. O fato é que nunca fui acionado pela Justiça para nada. Se fiquei com receio, sim, Não por mim, pelos meus atos, mas estava em um grupo, meu nome poderia estar
sendo usado de alguma forma. E convivi na Comissão de Minas e Energia com um grupo que realmente teve problema depois. Viviam me chamando pra tomar vinho, e eu sempre evitando. Ou seja, eu deito e durmo tranquilamente. Tenho meu padrão de vida que é o mesmo, administro a empresa da família. Faço política porque gosto. 

Folha – Suas ações recentes dão a entender que você busca uma volta ao cenário político eleitoral. Tem o objetivo de voltar a se candidatar?

Bernardo – É o retorno do Bernardo Ariston político. Mas não tenho nenhum plano definido. Política é processo, destino e viabilidade. Se eu não estiver no processo, não terei viabilidade. Então o que busco no momento é estar no processo, e talvez o destino ajude a dar essa viabilidade. Vejo que a região está estagnada em uma política mesquinha e retrógrada. Quem está no poder só busca favorecer o seu grupo para continuar no poder. Chega dessa “curriola” que vive de populismo. As cidades não podem crescer de forma tão desordenada, isso favorece a criminalidade, o tráfico, a má formação das crianças do ponto de vista pedagógico e cultural.

Folha – Como avalia o momento político em Cabo Frio? Como foi sua participação no Governo Marquinho e o que pensa sobre o Governo Adriano?

Bernardo – O governo está completamente perdido. Em que pese o Adriano parecer ser um homem de bem, ele não está tendo pulso para administrar a própria equipe que montou. Diferente do Marquinho, em que pese os problemas judiciais que teve, ele sim recebeu uma herança maldita do Alair, e o Marquinho, quando sai, não deixa essa herança maldita do ponto de vista financeiro. Isso não é uma defesa do Marquinho, que é uma pessoa chegada a mim, mas do ponto de vista político discordo dele em muitas coisas. Ele me convidou para ser Secretário de Desenvolvimento mas não me deu condições de realizar o trabalho. Acabei virando coordenador de Industria e Comércio, ligado à Secretaria de Turismo, e ajudei em alguns projetos. Me senti desprestigiado e pedi exoneração. Ele contornou, me chamou para fazer uma assessoria em busca de projetos, em virtude do meu conhecimento
no tempo de deputado federal, mas aí veio a eleição suplementar.

Folha – O que imagina para o futuro da cidade?

Bernardo – É preciso pensar pra frente e pensar grande. São 30 anos de atraso em Cabo Frio. A cidade já recebeu cerca de R$ 6 bilhões em royalties e ainda continua desse jeito. Cabo Frio poderia ser uma cidade do mundo. Já perdeu essa oportunidade diversas vezes. Vai perder de novo?

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