Citados por Marquinho em entrevista calam-se ou rechaçam chance de aliança com ele no ano que vem

Ex-prefeito declarou que está disposto a formar frente contra o atual prefeito

Publicado em 02/04/2019 às 09:09

O movimento de aproximação até foi dado, na última sexta-feira, durante o programa ‘Frente a Frente’, da Jovem TV. Mas a declaração do ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB) de que está disposto a formar uma frente de oposição ao atual gestor Adriano Moreno (Rede) encontrou resistência dos citados na entrevista. 

A reportagem da Folha ouviu quatro dos seis nomes comentados POR Marquinho – Serginho Azevedo (PSL), Mauro Bernardo (Pros), Rafael Peçanha (PDT) e José Bonifácio (PDT) – e nenhum deles correspondeu ao ‘flerte’. O ex-prefeito Alair Corrêa não comentou o assunto e o vereador Jefferson Vidal (PSC) não foi localizado para dar a sua opinião. 

Cada um ao seu modo rechaçou a possibilidade. Presentes à visita técnica da CPI do Hospital da Mulher, os deputados estaduais Serginho e Bernardo evitaram fazer projeções para o processo eleitoral por causa da atividade na Assembleia Legislativa (Alerj). Por outro lado, nenhum dos dois descartou a possibilidade.

– Marquinho continua fazendo a mesma política sempre. Tenho dois meses como deputado e não estou pensando nisso ainda. Não tenho nenhuma relação político-partidária com ele. Meu grupo político não tem relação com o grupo dele. Agora, é um direito dele querer apoio das pessoas. Se fosse eu, ia querer o apoio de Doutor Serginho sim, mas Doutor Serginho não está pensando na política de prefeito, inclusive a gente precisa saber se Marquinho pode ser candidato. São questionamentos que nos fazem. Vamos tratar da eleição de prefeito mais para frente – disse o parlamentar do PSL.
Já Mauro Bernardo foi mais direto.

– Eu já falei que no momento eu não estou apoiando ninguém porque estou pensando em ninguém. Se eu apoiar alguém, vou falar na hora certa e a pessoa que é sabe do que eu estou falando – disse, misterioso, o policial militar reformado.

Já Rafael Peçanha, que foi líder de oposição no governo Marquinho (2017-2018), também deu como justificativa a situação judicial do ex-prefeito. Ele rebateu a possibilidade de possível apoio com ironia.

– Pode avisar a ele que com ele eu não quero formar frente, nem lado, nem costas. Só quero os votos que seriam dele, porque ele não poderá ser candidato, e a banda boa do grupo, que também não o apoiará, porque a Justiça não permitirá a candidatura dele – disse o pedetista, atualmente ‘em litígio’ na legenda.

Questionado, José Bonifácio, que se trata de problemas de saúde, fez alusão a Tancredo Neves e ao próprio pai de Marquinho, o ex-deputado Wilson Mendes, para comentar sua posição. 

– Wilson era um político por quem eu tinha o maior respeito. Numa determinada ocasião, eu perguntei se havia possibilidade de ele estar no palanque com determinado adversário. Ele disse assim: “só tem uma possibilidade, se for para ele pedir voto pra mim”. Então qualquer tipo de aproximação eu só consideraria, pegando a fala de Wilson Mendes, se for para ele (Marquinho) votar em mim. Se quiser subir no meu palanque não tem problema. Tem uma velha história na política, já dizia Tancredo Neves, que apoio você não recusa, você só não assume compromisso com quem não pode assumir – ponderou o veterano político.

Pendência judicial – Se o ex-prefeito tem aspirações eleitorais para o ano que vem, em primeiro lugar, terá que novamente preocupar-se com a Justiça. No começo do mês passado, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) condenou-lhe a oito anos de inelegibilidade (até 2024) por abuso de poder econômico na eleições de 2016. A decisão dá provisão a recurso impetrado pelo Ministério Público Eleitoral.

A Corte entendeu que Marquinho ofereceu dinheiro e cargos no futuro governo a candidatos a vereador pela coligação adversária. “A oferta de vantagens com vistas à desistência de candidatura, quando já deflagradas as campanhas, denota, ao invés de mera busca de apoio político, o efetivo abuso dessa prerrogativa. Isso porque Marquinho Mendes e os demais investigados, por meio da utilização indevida de recursos e da oferta de cargos no futuro governo, buscaram alterar o cenário do pleito, a fim de evitar a eleição de vereadores de oposição, enfraquecendo a corrente política adversária”, redigiu a relatora do processo, desembargadora eleitoral Cristina Feijó. “A conduta dos investigados configura, ainda, fraude capaz de malferir a legitimidade e afetar o resultado das eleições”, completou a magistrada em seu voto.

Ele já fora afastado do cargo no ano passado por entendimento da Justiça de que ele não poderia ter se candidatado nas eleições de 2016, por causa da extensão dos efeitos da Lei da Ficha Limpa, por condenação nas eleições de 2008.

 

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