Secretário de Saúde de Cabo Frio afirma que não reabrirá Hospital da Criança

Em coletiva de imprensa, Antônio Macabu falou em ‘armadilha’ deixada pela gestão anterior

Publicado em 01/08/2018 às 08:50

RODRIGO BRANCO

O secretário de Saúde de Cabo Frio, Antônio José Macabu, disse ontem que o Hospital da Criança, no Guarani, fechado há quase dois anos, não será reaberto, pelo menos, com sua finalidade original. O secretário reuniu a imprensa ontem para fazer um balanço das primeiras duas semanas da sua gestão, marcadas por visitas a algumas unidades. De modo geral, ele classificou a situação da Saúde no município como ‘caótica’.

Além do Hospital da Criança, Macabu esteve no almoxarifado geral e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Parque Burle. Aos jornalistas, o secretário afirmou que o Hospital da Criança está sucateado e com graves problemas estruturais. Na semana passada, o Hospital chegou a ser invadido.

– Estudamos dar algum um uso administrativo, mas ainda não temos um prazo para essas mudanças já que mesmo para esse fim seria necessário uma importante reforma no local. A equipe se debruça incansavelmente para encontrar soluções o mais rápido possível e que não onerem o caixa da Prefeitura – comentou.

Além da situação da unidade, Macabu criticou duramente o estado do almoxarifado geral de insumos e medicamentos, que fica em São Cristóvão. Segundo o secretário, o estoque de vários remédios estava zerado e não há qualquer controle de entrada e saída do local, cujo contrato de locação está prestes a ser encerrado. De toda forma, a estrutura também é vista como um problema. O titular da Saúde destacou que o imóvel está em estado ruim de conservação, com infiltrações e o teto em vias de ceder.

– Faltava tudo: anestésicos, antibióticos, soro fisiológico. Não tinha um soro no almoxarifado. Quando fui tentar solicitar, junto ao Jurídico e ao setor de Compras, as empresas que ganharam a licitação para fazer um abastecimento em caráter de urgência, não havia mais saldo. Ou pelo menos não havia mais tempo. Ou os dois. Eu me vi na sexta-feira obrigado e conseguir insumos para que essas unidades não parassem no fim de semana. Aí sim seria o caos – declarou.

Para tentar resolver a situação, o secretário disse que tenta negociar com os fornecedores para que o fornecimento de aliDivulgaçãomentação não seja paralisado. Para outros insumos, tem sido buscado o caminho jurídico de comprar sem a necessidade de licitação, por causa dos prazos. Macabu chegou a dizer que seringas foram compradas do próprio bolso de um diretor para que o abastecimento não ficasse prejudicado. Ele classificou a situação de contratos encerrados pouco após a sua posse como ‘armadilha’.

– Isso não é fruto de administração do Doutor Adriano, mas da administração passada que caiu no nosso colo. Infelizmente, estou vendo que tenho que resolver de forma emergencial, o que não é bem visto pelo TCE, até com certa razão, porque não pode fazer contratação de emergência porque senão dá uma conotação de que está querendo beneficiar a empresa de A, B ou C. O ideal é que se fizesse em tempo hábil que seria três ou quatro meses antes da minha posse. A situação que passaram para mim não é a verdade – afirmou o secretário.

Antecessor diz que faltou gestão

A reportagem procurou o antecessor de Macabu na pasta, Roberto Pillar. Ele rebateu as críticas feitas pelo atual secretário e diz que toda a situação referente a contratos e licitações foi avisada no período de transição de governo. Segundo o ex-secretário, o contrato é anual, mas que os empenhos eram feitos mensalmente. De acordo com Pillar, falta gestão para a atual equipe.

– A licitação é anual e durante um ano pode pedir a mercadoria por empenho aos poucos, é difícil estocar o material e não tem necessidade. O custeio é mensal. Recebo as verbas mensalmente. Não compro para três ou quatro meses. Isso foi avisado. O último empenho foi feito em 17 de junho. E o próximo empenho estava previsto no fim desse mês. Foi repassado para ele na frente de várias pessoas em duas reuniões. Agora, porque eu não quis empenhar tem que perguntar a ele – defendeu-se.

Sobre os contratos de alimentação, Pillar disse que a renovação poderia ser automática.

– O contrato da alimentação termina dia 1º de agosto (hoje), mas como é serviço pode ser renovado. Não precisa de nova licitação. Poderia ter renovado o contrato e não tem mais nenhum outro contrato. O de medicamentos vence em dezembro. Ele que não se antecipou e não fez pedido. Quanto à queixa que não fiz a licitação, não vou licitar 30 ou 40 milhões no fim de governo, se pode empenhar. Faltou gestão no caso dele – complementa.

Por fim, Pillar disse que já pegou o hospital todo destruído.

– Tá fechado desde 2016. Nós avisamos a população que só iríamos reformar no segundo semestre de 2018. Abandonado ele está agora, foi invadido na semana passada. Estava todo mundo ciente. Tiramos algum material e montamos a pediatria no Hospital da Mulher, não faltou vaga. Foram feitas 150 cirurgias. Está tudo dentro da normalidade. Não enganamos ninguém. Ele tem é que trabalhar porque todo mês tem que fazer empenho, licitação e pregão – finaliza. 

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