Doação de órgãos: Conscientizar para salvar vidas

ONG viaja o Estado do Rio de Janeiro para divulgar a importância do transplante

Publicado em 15/06/2018 às 09:36

ALEXANDRE FILHO

Criado no final de 2017, o Grupo de Apoio ao Transplante de Órgãos (GATO) está viajando ao redor de todo o estado do Rio de Janeiro para realizar palestras de conscientização sobre a importância do ato de doar órgãos. A ONG passou nesta semana em Cabo Frio, onde o Hospital São José Operário realiza um belo trabalho voltado para esta questão, e busca se tornar um pólo de captação de órgãos no Estado, ajudando assim a salvar ainda mais vidas.

O ato de doar os órgãos após a morte pode salvar mais de sete vidas de uma só vez, porém, o tema ainda é rodeado de mitos e inverdades. É o que explica Marcelo Queiroz, presidente da GATO. Segundo ele, a falta de informação é o maior motivo da negativa em praticar o ato solidário, tanto por parte dos potenciais doadores quanto de seus familiares – que no Brasil ainda detém o poder de escolha sobre a doação, mesmo o quando a pessoa falecida já havia se declarado como doadora na identidade. No Rio de Janeiro, o índice de recusa dos familiares nesses casos é de 30%, e apenas no ano passado, mais de 230 órgãos deixaram de ser doados, segundo o Programa Estadual de Transplantes.

Para tentar esclarecer diversos pontos que rodeiam o tema, Marcelo está viajando com a equipe da ONG ao redor do estado para tentar difundir o que ele chama de “cultura da doação de órgãos”.

– Como ainda não conseguimos viajar por todo o Brasil, a gente entende que é muito importante poder rodar todo o interior do Rio. E principalmente realizar esse trabalho nas universidades, onde surgem novas ideias, é onde está a classe jovem e pensante, pessoas criando inovações. Nós dividimos nossa equipe por regiões, mas atualmente também temos voluntários fixos em Cabo Frio e Rio das Ostras e Angra dos Reis, e elas vão ajudar a disseminar o conhecimento – disse.

Marcelo criou a ONG depois que ele mesmo, depois de sofrer de uma doença renal muito séria, passou por um período de hemodiálise e depois de certo tempo, mesmo tendo medo da operação, recebeu um novo rim através de um transplante. Durante seu período no hospital, ele fez contatos que hoje são fundamentais para realizar o trabalho da ONG.

– Em nossas palestras nós convidamos médicos da área, pessoas que já doaram seus órgãos em vida ou que receberam doação, além de familiares que perderam seus entes queridos para doenças que um transplante poderia ter sido a diferença entre a vida e a morte. Esses parceiros fazem o trabalho de passar esse conhecimento com propriedade, com experiência – disse.

A ONG estará em Cabo Frio novamente na próxima segunda para realizar palestras.

Hospital de Cabo Frio busca se tornar referência

Em Cabo Frio, o complexo São José Operário / Hospital Central de Emergência (HCE), em São Cristóvão, que já realiza o trabalho de captação de órgãos há mais de 10 anos e inclusive já treinou profissionais para realizar o procedimento, está tentando agora se tornar pólo da Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos (CIDOT), sendo assim referência nesse quesito em âmbito estadual.

Everson Coelho, diretor do hospital, explica que atualmente já existe uma parceria entre a unidade hospitalar e o Programa Estadual de Transplantes (PET) de forma extraoficial, mas revela que a oficialização deste vínculo deve ocorrer em breve. Para ele, tornar a cidade um pólo nesse segmento é fundamental, e Cabo Frio conta com pontos a seu favor nesta batalha.

– Hoje nós trabalhamos com uma equipe multidisciplinar para realizar essa captação, com médicos e outros profissionais envolvidos. Mas nós queremos transformar a cidade nesse pólo de captação do Estado através do nosso hospital. Temos a favor a proximidade com o aeroporto da cidade, de onde até o heliponto da Lagoa, no Rio, a viaja de helicóptero dura apenas 35 minutos – disse.

O processo para se tornar um pólo de captação do PET está a todo vapor e, de acordo com Lilian Brandão, responsável pelo centro cirúrgico do hospital, restam apenas questões burocráticas.

– Nós queremos instaurar esse pólo e aperfeiçoar nosso trabalho voltado para a captação de órgãos. Para isso, porém, hoje ainda precisamos de um profissional que possa fazer o diagnóstico da morte encefálica – explicou Lilian.

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