Relatos de cabofrienses demonstram clima de insegurança na cidade

Medo faz parte da rotina 

Publicado em 24/05/2019 às 08:36

Nas ruas de Cabo Frio, a sensação de insegurança e o medo fazem parte dos relatos que moradores compartilharam com a reportagem da Folha, ontem.   A balconista Ana Júlia, de 29 anos, não gosta nem de falar sobre o assunto. 

– Infelizmente eu já fui assaltada três vezes. Duas vezes no ponto de ônibus e outra andando na rua. E toda vez que acontece é uma situação chata, a gente não se acostuma. Mais do que isso, é uma situação perigosa, porque até hoje não aconteceu nada comigo, mas poderia ter acontecido, né? E eu tenho medo que aconteça de novo.

O estudante Eduardo Alvim, de 23 anos, que foi assaltado no bairro do Braga quando voltava de bicicleta para casa. Para ele, a cidade vive um clima de insegurança.

– Aconteceu quando eu estava andando de bicicleta de volta para casa. Quando eu já estava perto, parei a bicicleta para abrir o portão, e foi quando um carro encostou, abriu a porta, mostrou a arma e falou “perdeu, perdeu”. Eu dei o celular e a carteira e eles foram embora. Essas situações geram um clima de insegurança enorme na população. Depois disso, sempre fico com receio quando paro para abrir o portão de casa – declarou. 

Mesmo que ainda não tenham sido atingidos diretamente, diversos moradores também relataram casos de familiares que sofreram com a violência. Foi o caso da neta de 15 anos do vendedor de coco Genilson Rodrigues, de 64 anos, que foi assaltada quando caminhava para ir para a escola. 

– Ela estava indo para a escola como sempre fazia. De repente chegou um rapaz, anunciou o assalto e levou o celular dela. Eu não estava na cidade quando aconteceu isso, e me senti muito triste. Mas acaba que é tão normal esse tipo de situação que o nosso pensamento sempre é o de agradecer pelo pior não ter acontecido, ou seja, por só terem levado o celular e nada mais – disse Genilson. 

O vendedor Jordan Santos, de 26 anos, lembrou do dia em que viu um casal ser assaltado a luz do dia, em pleno Centro da cidade.

– Cerca de uma semana atrás, aqui no Centro, por volta das 15h, eu vi um casal que estava voltando da praia e, de repente, chegou um rapaz de bicicleta anunciando o assalto. Pelo o que eles falaram, ele levou só o celular. E isso acontece em outros bairros da cidade, e não tem hora nem lugar. Tem muita gente que evita certos lugares da cidade por já saber que são pontos fixos de assalto – declarou.

Morador da Gamboa, o autônomo Rodrigo Lisboa, de 29 anos, cita que, após às 18h, a Ponte Feliciano Sodré se tornou um desses pontos de assalto, em que os moradores estão evitando passar sozinhos. 

– Várias amigas minhas já foram assaltadas por homens de moto enquanto estavam atravessando a ponte. A partir das 18h a ponte se torna ponto de assalto e quem já sofreu com isso fica com medo. Eu acho que é necessário aumentar o efetivo naquela área – disse.

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