Impasse no Mercado Sebastião Lan: feira no pátio gera críticas

​Após interdição do galpão, feirantes reclamam de falta de organização e queda de faturamento

Publicado em 06/11/2018 às 09:00

Ainda não há previsão para os feirantes do Mercado Municipal Sebastião Lan, no Jardim Caiçara, Cabo Frio, voltarem a trabalhar no galpão – há um mês, eles têm que vender seus produtos na parte externa do espaço. Com isso, eles reclamam: há queda no movimento e no faturamento. A área do galpão foi interditada pela Defesa Civil por problemas de segurança. Laudo técnico apontou falhas na estrutura do teto e em algumas vigas, devido à falta de manutenção.

Uma reunião entre integrantes da secretaria de Agricultura, Obras e Planejamento e da Defesa Civil foi realizada nesta segunda (5). O objetivo era chegar a uma solução para o problema, o que não aconteceu. Segundo a prefeitura de Cabo Frio, um novo encontro será marcado nos próximos dias. Enquanto isso, a cobrança da taxa de manutenção continua suspensa.

José Antônio, de 68 anos, que trabalha na feira há 16 anos vendendo abacaxi, lembra que a mudança para o lado de fora foi repentina. Em uma semana, os vendedores foram avisados e, no fim de semana seguinte, já estavam trabalhando no pátio. Segundo ele, o espaço atual está muito tumultuado.

– Lá dentro era outra coisa, muito mais organizado, a gente trabalhava na sombra. Mesmo quando chovia, não atrapalhava o movimento. E aqui não, fica muito difícil trabalhar aqui, com chuva ou com sol. O movimento diminuiu muito, porque no galpão o pessoal gostava de ir, tinha espaço para o cliente bater papo, tomar sua cerveja, e aqui não tem nada, além de estar muito tumultuado, não tem espaço para transitar – disse.

Os motivos para reclamação são diversos. Além da falta de organização e do tumulto quando a feira está muito cheia, a dificuldade em montar as barracas ao ar livre, por conta das intempéries, e o sol forte, também são citados como fatores que têm prejudicado o trabalho dos feirantes. E o resultado de toda a recente mudança já tem sido visto no movimento da feira e, consequentemente, no faturamento de quem trabalha no local.

– Antes, eu trabalhava aqui só no domingo, e vendia minha mercadoria numa boa. Hoje em dia, com esse esquema atual, eu trabalho sábado e domingo e não estou vendendo a mercadoria toda, estou encalhando com ela. É vento, chuva, sol queimando a mercadoria. Está muito difícil, estamos vendendo menos e com muita dificuldade – disse Valério Cardoso, de 51 anos e que há 27 é feirante no Mercado Municipal Sebastião Lan.

E não são só os feirantes quem reclamam do atual espaço. Os fregueses, muito antigos frequentadores da feira, não estão satisfeitos. Na manhã deste domingo, Selma Braga afirmou que a situação é “um absurdo”. Ela citou, entre outras coisas, o tráfego entre as barracas como um dos pontos que estão deixando a desejar.

– Eu frequento a feira há mais de 20 anos, desde que eu morava no Rio de Janeiro, e depois continuei a vir quando me mudei pra cá. Pra mim é um absurdo isso tudo, para eles e para nós, clientes. Está dificultando em tudo. A gente não consegue achar os feirantes que a gente já conhecia, o trânsito entre as barracas está ruim, sem contar o calor. Está muito ruim! – criticou.

Apesar de entender os motivos que levaram a mudança, o aposentado Fabrício Farias, de 65 anos, criticou diversos pontos e cobrou uma ação rápida da administração municipal para que uma solução seja encontrada.

– Eu entendo que a feira tenha sido remanejada por motivos de segurança, mas essa situação não pode permanecer dessa forma por muito tempo. Está prejudicando todo mundo, os feirantes e os clientes. Calor, a possibilidade de chuva e a falta de organização, tudo isso contribui para que as pessoas acabem deixando de vir e os feirantes deixem de lucrar também – declarou.

A administração da feira é realizada pela Secretaria de Agricultura. Um dos funcionários alocados na gestão do espaço, Rodrigo Paes, garante que o bem estar dos trabalhadores foi considerado.

– Não deixamos ninguém que estava trabalhando dentro ou fora do pavilhão sem trabalhar. Todo mundo que tinha o seu espaço dentro do galpão nós remanejamos para que não atrapalhasse o trabalho de ninguém – disse.

Ele ainda explicou que os contratempos gerados pela mudança estão fora da alçada da administração, que tenta lidar com a situação da melhor maneira possível.

– É melhor termos esse constrangimento todo do que perdermos uma vida lá dentro (...) A Secretaria de Agricultura não mede esforços para melhorar essa situação, mas ela não depende somente de nós – declarou.

Falta de diálogo deixa feirantes sem expectativa

Feirantes também reclamam do que consideram ser falta de diálogo por parte da administração. Eles dizem que ficaram à mercê de boatos quando o assunto se trata do futuro das obras do galpão.

– Eles só falaram que estava interditado, colocaram a gente aqui do lado de fora e pronto. Daí por diante ninguém nos procurou para falar mais nada, para dar um posicionamento de como vai ser, se vão fazer as obras, quando vão fazer. A gente está aqui esquecido. Isso deixa a gente angustiado, sem saber o que vai ser do futuro – disse a vendedora de queijos Marilza Manhaes, de 52 anos.

O discurso de Marilza ganha coro nas palavras de Ailton Célio dos Prazeres, de 56 anos. Ele explica que além da administração do local, quem também não tem se comunicado com os feirantes é o próprio secretário de Agricultura, José Dias.

– Já passaram vários administradores aqui, e ninguém reclamava de nada. Mas com essa administração falta diálogo com os feirantes, é isso que eu sinto. Além disso, o Secretário de Agricultura, desde que foi empossado, não apareceu aqui para dar as caras e conversar conosco, mostrar que é o administrador e para que nós possamos saber quais são os projetos dele. Isso deixa a gente triste.

De outro lado, a administração do espaço diz que diálogo não é o problema. Após a realização de um recadastramento, que contou com 180 feirantes, a gestão, juntamente com o secretário de Agricutlura, convocou uma reunião com os representantes dos quatro segmentos da feira: galpão, área externa, peixaria e bares. Porém, apenas dois deles apareceram no encontro.

– Diversos assuntos foram tratados nessa reunião, inclusive sobre o remanejamento que seria feito com a interdição do galpão. Então, eu acho que só falta diálogo para quem não procura diálogo. Como eu vou dialogar com cem pessoas que divergem entre si? Falta organização e união entre eles – disse Rodrigo Paes

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