Futebol feminino respira em Cabo Frio

Seleção feminina surge na cidade para dar oportunidade a meninas boas de bola

Publicado em 08/06/2019 às 17:34

ALEXANDRE FILHO

A Copa do Mundo de Futebol Feminino começou ontem na França. E, apesar de a estreia do Brasil neste domingo, em Cabo Frio os bares da cidade não receberam público para assistir aos jogos de estreia e camisas do Brasil não eram vendidas nas ruas da cidade. O cenário, distinto daquele visto em 2018 durante a Copa da Rússia, reflete a falta de valorização da presença feminina no esporte. 

Aos poucos, no entanto, ações aparecem para virar esse jogo. E Cabo Frio também tem iniciativas do tipo. É o caso da seleção feminina de futebol de Cabo Frio. Fruto de um projeto da prefeitura, o time conta com 50 atletas amadoras e recentemente conquistou o título do Campeonato Intermunicipal do Estado do Rio de Janeiro.

Ao comentar sobre a atual situação do esporte no país, o técnico da equipe feminina de Cabo Frio, Djalma Leite, argumenta que o maior problema é a discriminação e o preconceito que ainda existe na sociedade em torno da prática do futebol feminino.        

– Infelizmente, o futebol feminino é meio discriminado. Acham que a mulher vai se tornar masculinizada porque pratica futebol, mas o futebol não tem gênero. Muitas famílias também pensam que se a menina praticar futebol ela vai se tornar homossexual, e o futebol não está relacionado com isso. Porém, eu acho que essa mentalidade está mudando, esse panorama está melhorando. Mas o que falta mesmo é fazer as pessoas perderem esse preconceito de dizer que futebol não é coisa de mulher – disse.     

Cria da seleção de Cabo Frio, Maxinny Lúcia Pereira Damasceno, 24 anos, defendeu a camisa do Vasco e chegou à Seleção Brasileira Sub-17, vencendo o Sul-Americano e disputando o Mundial da categoria.

Atualmente auxiliar técnica na seleção feminina de Cabo Frio, ela afirma que a cidade precisa de mais investimento para que o esporte cresça e a cidade revele mais talentos que possam representar o país.  

– O futebol feminino, principalmente em Cabo frio, precisa de uma visibilidade e de um marketing maior. Hoje, o futebol feminino é uma atração, está em seu auge no país, e em Cabo Frio os olhos dos empresários e da cidade precisam se voltar para isso. Quantas meninas tiveram que sair daqui e ir para a capital jogar para poder realizar seus sonhos? A nossa cidade precisa de mais visibilidade e investimento, porque talento nós temos – declarou.  
Fora do contexto das competições profissionais e amadoras, a mulherada também vem batendo um bolão e buscando seu espaço nos campos de pelada da cidade. Com 12 anos de existência, o Salto Alto FC é composto por 25 mulheres que todas as quintas-feiras se reúnem no campo do Galiotto para bater uma “pelada”.

– A ideia inicial surgiu pela grande admiração pelo esporte. A gente foi catando gente daqui e dali e no início a gente tinha que buscar gente para jogar mesmo. Hoje nós temos um grupo fechado com 25 meninas e fila de espera. Nós não passamos por nenhum tipo de preconceito, mas ninguém acreditou que seríamos tão persistentes ao ponto de somarmos 12 anos de pelada, frequentando o mesmo horário e local, sempre nas quintas-feiras. Tornou-se um compromisso nosso e ninguém marca nada para as noites de quinta-feira – explicou a professora de educação física Daniele Mattos, organizadora do grupo, que segundo ela tem até lista de espera para participar. 

Apaixonadas por futebol, o grupo vai na contramão da maioria da população e afirma que já está se organizando para acompanhar Marta, Formiga e cia. nesta Copa do Mundo.  

– Nós com certeza iremos assistir aos jogos juntas. Já estamos nos organizando, construindo um calendário e vendo um local para que possamos vibrar pela Seleção Brasileira de Futebol Feminino – concluiu.

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