Paulo Cotias

Historiador, Mestre em Educação. Professor Universitário.

28/08/2019

Salão Estadual de Turismo

O Salão de Turismo foi um marco significativo de um novo momento para o Estado do Rio de Janeiro. Após anos sem realizar o evento - que ocorreu do dia 22 a 25 deste mês no Pier 2 localizado na belíssima área revitalizada da Zona Portuária carioca-  o Governo do Estado, por meio da Secretaria Estadual de Turismo e pela TurisRio conseguiu materializar o mantra do turismo como o “novo petróleo”, estabelecendo uma sinergia significativa com as secretarias municipais, com o trade turístico e com segmentos representativos da cultura de cada região turística.


Sendo assim, é importante reconhecer o empenho de todas as equipes envolvidas, comandadas pela experiência e protagonismo de figuras exponenciais do turismo no Estado como o Secretário Estadual Otávio Leite, o Presidente da TurisRio Thomas Weber e o presidente da Federação dos Convention and Visitors Bureaux do Rio de Janeiro Marco Navega. Quem conferiu o Salão também pode encontrar os profissionais da envergadura do Prof. Mauricio Werner, além de presidentes dos CVBs locais, empresários, artesãos, artistas e profissionais dos mais variados segmentos da cadeia produtiva do turismo.


E o evento foi primoroso do início ao fim. Além da estética e logística apuradas e equilibradas, o Salão cumpriu bem o seu papel ao permitir que as regiões turísticas, representadas por mais de setenta municípios dessem a vida e o conteúdo que, certamente, foram decisivos para a entrega de uma experiência única. O governador Witzel em pessoa pode conferir um pouco das virtudes e potencialidades de casa região, o que deu uma desejável e importantíssima visibilidade aos municípios do interior do Estado.


De quebra, o Salão conseguiu um blend interessante de palestras, com uma atraente programação que variou do acadêmico ao prático, do técnico ao inspirador, com temas exclusivamente dedicados às mais variadas  características da área de turismo e eventos. E é muito importante reconhecer também a potencialidade do Salão de Turismo como um campo de sinergia, onde foi possível estabelecer os mais variados diálogos, tratativas e network. 


Após esse evento, ficam algumas certezas que se traduzirão em novas mentalidades da gestão turísticas e em políticas públicas efetivas. Dentre elas, podemos destacar a intensificação da regionalização e o fortalecimento dos destinos, as novas possibilidades de combinação e sinergia entre destinos complementares e a busca por projetos estruturantes da atividade turística. Tudo isso construido lado a lado com os grandes protagonistas desse espaço, o trade turístico.


Como é presumível que essa diretiva seja a tônica dos esforços do Poder Público estadual, é preciso capilarizar e alinhar ainda mais as secretarias municipais e suas respectivas prefeituras, construindo uma agenda de compromissos e projetos que poderão ser fontes inestimáveis de propulsão de novos negócios.


E isso certamente vai gerar destinos melhor organizados, com marcos legais sólidos e com capacidade de entregar boas experiências. Como o momento não poderia deixar de ser melhor, é o tempo exato de reforçar parcerias, de fortalecer os conselhos e de promover os atrativos de casa cidade. Com organização e visão poderemos efetivamente viver do turismo de modo planejado e bem executado.
Um grande passo foi dado. O Salão Estadual de Turismo foi um marco de um novo tempo.

 

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20/08/2019

Turismo: Teoria e Prática

Há muitas nuances e alguns descaminhos quando o assunto é turismo. Por de trás da expressão tão conhecida que indica a possibilidade de viver dos seus dividendos, existe uma cadeia de conhecimento e boas práticas que podemos considerar indispensáveis. O contrário dessa perspectiva nos leva a um terreno escorregadio, o de acreditarmos que qualquer coisa pode ser chamada de “turística”.
 
Simplificando um pouco o assunto, há pelo menos dois entendimentos indispensáveis para os que desejam pensar a atividade de modo profissional. O primeiro diz respeito ao destino. A organização de um destino não é, sobremaneira, uma tarefa simples. Ao contrário! Ela se caracteriza pela capacidade de entrega de todos (ou quase todos...) os elementos destacados como requisitos básicos para o bom funcionamento do mesmo. Ou seja, para o planejador são necessários estudos e dados indispensáveis que contenham temas como o mapeamento das áreas potenciais, a capacidade de carga (ou seja, o número estimado de ocupação do espaço), sinalização, acessibilidade, sustentabilidade e garantia de oferta dos serviços básicos fundamentais na atividade como energia, água, saneamento e segurança (aqui inclusa a saúde e a proteção da vida).
 
Com todos esses requisitos na esteira, o segundo passo, concomitante ao primeiro, é a preparação do produto turístico. Uma enorme vantagem competitiva nessa atividade é que a expressão “turístico” comporta uma grande variedade de produtos e prestação de serviços, direta ou indiretamente ligados a construção do grande objetivo final: A experiência do turista. 
 
Apesar de a teoria ser bastante clara, a prática se mostra bastante desafiadora. Entretanto, as recentes crises causadas pela flutuação de commodities como o petróleo fez virar os holofotes para a atividade turística que, para a surpresa de muitos, vem apresentando índices estatísticos de crescimento no Brasil e no mundo, contribuindo de modo cada vez mais abrangente para a robustez do Produto Interno Bruto.
 
O Rio de Janeiro vem se destacando como um exemplo dessa mudança de perspectiva. Talvez o passado cosmopolita já traga o DNA turístico mais aflorado. É importante destacar que as ações voltadas para o fortalecimento da regionalização já vem surtindo efeitos bastante consistentes e uma dessas demonstrações é o retorno do Salão Estadual do Turismo. Além dessas iniciativas, há um alinhamento retórico e fático por parte do Poder Público e da iniciativa privada para a construção de soluções compartilhadas.
 
Assim, a organização do destino e a formação de produtos deixam de ser iniciativas isoladas e complementares e se preparam para o papel de protagonistas principais do desenvolvimento econômico e social, tão necessários nos dias atuais.

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24/01/2018

De leve

Como tudo ou quase tudo se tornou uma manifestação de cultura e pensamento, fica difícil definir dentro de um contexto de liberdade de expressão o que é ou não socialmente conveniente. 

Isso se reflete nas manifestações de ódio e intolerância, algo tão recorrente nas redes sociais quanto na vida real, onde as mazelas do preconceito ainda insistem em ganhar contornos de uma inocente comédia, a da vida do outro é claro. 

Longe de advogar um moralismo estrito não estaríamos, contudo, tolerantes demais quando damos toques gourmet a coisas como o recente hit do momento, o tal da “surubinha de leve”? Para essa e várias outras concessões que transformam drogas, bebidas e comportamentos em bens de consumo desejáveis e identificáveis, só nos resta assistir com espanto a desvalorização e a vulnerabilidade cada vez maior dos segmentos já tradicionalmente mais sensíveis a esse processo.

O mais curioso é que se nos alongarmos numa palhinha antropológica vamos notar que as famílias são as maiores facilitadoras de todo esses acontecimentos pela simples e direta inércia da indiferença. O crescimento das “festinhas sociais” em casas particulares ou em conhecidos “night clubs” onde menores consomem sem nenhum tipo de constrangimento bebidas, drogas e experimentam os roteiros sexuais musicados pelos novos arautos de um execrável segmento da música funk, tudo isso devidamente registrado e compartilhado de modo viral pelos grupos de whatsapp, com a total e irrestrita anuência dos pais/responsáveis , são sintomas de que estamos diante de uma geração de abandonados. 

 E para ficar ainda mais no clima da relatividade pós-moderna, estamos vendo muitos desses jovens tanto nesses ambientes quanto em grupos de igrejas. Ou seja, será que as famílias transformaram a realidade dos filhos em uma rotina de despachos para que possam seguir “sem culpa” com suas próprias vidas? 

No fim das contas, vem o tão esperado carnaval com todos os excessos que lhe são típicos e favoráveis. Mas ele não seria tão preocupante se fosse apenas o que sempre foi, a catarse de uma sociedade sufocada pelo moralismo religioso, mas esse é um tempo que não mais existe. Hoje há uma liberdade que nos intoxica, não oferecendo nenhuma resistência, nenhum limite ou um freio à boca para quando transformam a ética em um discurso utilitário.

E olha que ainda teremos eleições e não causa nenhum espanto que esses mesmos jovens “de leve” sejam os mesmos que levantam a carregam a bandeira da violência como solução social, do preconceito como instrumento didático e do simplismo da aceitação acrítica da desigualdade como algo natural. A tal “turminha do mito”...

É torcer pelo menos para não rolar mais um surto nacional de febre amarela. Pelo menos isso para 2018...

 

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05/01/2018

O ano da sobrevivência

Em 2018 a região vai vivenciar as eleições para prefeito. Pelo menos indiretamente. Isso porque praticamente não se observa no horizonte uma candidatura viável com interesse exclusivo na representatividade legislativa. Assim, mesmo que sejam eleitos, esses representantes vão “esquentar o banco” federal ou estadual apenas para turbinar um projeto político/eleitoral de um pouco mais adiante. Arriscaria o prognóstico que a região ficará sem representante na próxima legislatura, levando a compromisso com deputados “de fora” para que possam deixar algum espaço em seus redutos para olhar para nossas bandas. Isso não é novidade propriamente. Nossas terras já foram bons currais externos e essa vocação também pode se tornar a turbina eleitoral de 2020. 

Seja como for, todas as prefeituras da região tem um tempo limite de seis meses para resolver suas pendências. O problema é o para que resolver. Aí se encontra a encruzilhada. No modo de fazer política à brasileira, o poder público se ajeita em função do calendário político, portanto, responde a projetos de poder puro e simples. Assim, qualquer melhoria será apenas melhoria, quando os tempos de hoje gritam por mudança significativa, por transformação, por abertura de espaços para pessoas não apenas íntegras como também absolutamente competentes no que fazem. Falta à política a noção de serviço. Político deveria se comportar como servidor e não como um ungido de cabeça coroada, a frente de uma corte de bajuladores interesseiros.

Com base em dados, indicadores e reunindo os cérebros certos, foram muitos os governos em todos os níveis e em todas as nacionalidades ao longo da história que constituíram projetos não apenas inovadores como também decisivos para o bem-estar de suas comunidades. Assim, conseguia-se enxergar uma identidade de grupo, uma noção de onde se parte e para onde se vai. O que mais vemos, no entanto, é um caleidoscópio de pequenas peças, se mexendo individualmente para dar alguma visão de volume ao todo. Mais ainda assim, peças soltas. 

Acreditam os paranormais da economia, em sua vidência, que 2018 será um ano de melhora. Particularmente devíamos colocar a devoção em outros santos. É de uma inacreditável ingenuidade alguém conceber capitalismo sem crise. Portanto elas, cedo ou tarde, farão parte do processo. E como gestão é administrar a escassez para que todos possam ter algo de bom, são necessários talento, integridade e inteligência, mas, acima de tudo, planejamento. O que não é mais possível é tentar colocar roupas curtas em elefantes. E isso significa coloca o modelo político tradicional na berlinda;
Sim, pois para sobreviver ele precisa continuar a reproduzir suas práticas e, para isso, precisa de grandes recursos. Mas como esses recursos não são mais graciosos é preciso produzir essas condições.

Só que para produzir essas condições os governos não podem mais ser o que são. Desse modo, manter as coisas como são exigem cada vez mais compromissos externos, loteamento de governos e tudo o mais que apenas servem para manter pessoas e não uma efetiva perspectiva de transformação e desenvolvimento.

Esse ano promete. Vamos apenas ver o que cumprirá.  

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