Leandro Cunha

Leandro Cunha é Administrador, Mestre em Economia Empresarial e Professor Universitário.

19/09/2019

Cenário Político 2020

Uma lista de pré-candidatos a prefeito está formada em Cabo Frio. O assunto está sendo tratado com ênfase no meio político e pela imprensa local, com mais de um ano de antecedência para as próximas eleições municipais. Esse calendário eleitoral antecipado, já tratado aqui nesta coluna em outra ocasião, deve-se ao fato, do fraco desempenho apresentado pelo governo de Adriano Moreno. O mandatário tem apresentado um alto índice de rejeição, atestado pelas ruas e pelas redes sociais. Nesse vácuo, adversários aproveitam-se para ocupar espaços no front eleitoral. Alguns desses nunca chegaram a descer do palanque. 

Desde as eleições suplementares do ano passado, por exemplo, o vereador e sempre pré-candidato, por ora líder da oposição, por várias vezes, adotou uma postura oportunista. Aproveitou-se de qualquer falha do governo para tentar se autopromover. Como marca do seu mandato, atacou o governo obsessivamente, de todas as maneiras, ora criando factoides, ora incitando grupos opositores pelas redes sociais. Tentativas frequentes de desestabilizar uma administração já caracterizada pela falta de liderança do prefeito. Daí por diante, outros velhos políticos aproveitaram para entrar em cena, aproveitando-se do vácuo de poder. O espaço foi aberto, antecipando as articulações políticas em torno do pleito eleitoral do próximo ano.
Cerca de 16 postulantes declararam-se pré-candidatos a prefeito. Pasmem, é esse número mesmo. Das mais variadas “espécies” políticas, surgem nomes de todos os lados, para todos os gostos. As articulações dos grupos políticos estão a pleno vapor. As costuras e os velhos conluios estão em andamento, abrindo perspectivas de chegada ao poder municipal. O atual prefeito declarou que é pré-candidato e mais outros três ex-prefeitos também declararam. Dois destes, Marquinho Mendes e Alair Corrêa, encontram-se com problemas judiciais que provavelmente os impedirão de concorrer. Outros tantos, entre vereadores, deputados estaduais e outros sem mandato, mas com atuação política na cidade, manifestaram que são pré-candidatos.

Parte da população, que não é boba, questiona o motivo do interesse de tantos políticos de concorrerem ao cago. Realmente esse questionamento é relevante, tendo em vista que a cidade cabo-friense acumula problemas de toda espécie, muitos desses de ordem financeira. São obstáculos a execução de programas e projetos, que por hora, inviabilizam melhorias e investimentos. O interesse de tantos grupos políticos vai no sentido do poder pelo poder. O objetivo é o fortalecimento de grupos que sempre usaram a máquina pública em benefício próprio. Mesmo não dispondo de preparo técnico e experiência para exercer o posto de prefeito, muitos desses pré-candidatos colocam-se na corrida em busca de espaço de poder, numa cidade esgotada por tantos desmandos nestes últimos vinte e poucos anos.

Nesse sentido, alguns postulantes lançaram o próprio nome para testar sua aceitação junto à opinião pública local e ao eleitorado. A lógica diz que aqueles que obtiverem um melhor posicionamento em pesquisas de opinião, permanecem na disputa eleitoral. Outros, com menos prestígio, mas ainda assim com margem de manobra, podem vir a negociar apoio político em troca de favorecimentos pessoais e espaços na máquina pública. Enquanto os acordos se consolidam, a população deve se precaver contra movimentos políticos enganosos, ausentes de ética e de coerência, que induzem a erros no voto, e o preço, como sabemos, é muito alto. 

 

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12/09/2019

Infraestrutura da Região

O ano de 2020 promete muitos debates políticos centrados em questões socioeconômicas, que irão movimentar as eleições municipais.  Como pano de fundo para essas discussões, observa-se a crise econômica que não cessa, atingindo a população com alto desemprego e falta de oportunidades.  Essas questões terão reflexos diretos sobre os resultados das eleições para prefeito sobretudo nas capitais e nas maiores cidades.  Obviamente, as cidades de menor porte não ficarão à margem deste processo, principalmente no que tange a políticas públicas de geração de emprego e renda. Num momento de dificuldades orçamentárias e financeiras, que dificultam investimentos por parte de municípios e do Estado, é preciso que a população esteja atenta a promessas de campanha que provavelmente não serão cumpridas.


O debate político dos municípios da Região dos Lagos deve seguir essa tendência, visto que as cidades além de sofrerem com os efeitos dos fatores macroeconômicos, sentem também, intensamente, os reflexos negativos do mercado de petróleo.  Possíveis oscilações da arrecadação dos royalties combinados com a recessão econômica, penalizam o Estado e os munícipios da nossa região. Cria-se a necessidade de reinventarem-se para conseguirem sustentar as contas públicas. Portanto, é um momento importante de reflexão para a sociedade como um todo, decidir sobre os rumos que o desenvolvimento da economia local deve seguir, estrategicamente, com menor dependência da indústria do petróleo.  


Uma das atividades econômicas mais pujantes, sem dúvida, é a vocação turística da região, mas que ainda rende muito aquém dos seus potenciais benefícios. É ponto pacífico a importância da indústria turística para a economia local. Outra via possível para o desenvolvimento local, passa pela avaliação do potencial logístico. As infraestruturas destinadas as atividades de transporte, armazenagem e distribuição, em geral, configuram-se em bons atrativos para que empresas tenham interesse em se estabelecer na região.  Além disso, incentivos fiscais, podem reforçar esse interesse empresarial, em especial, o regime de ISS.  Os governos municipais e do Estado do Rio deveriam atentar para essas questões, definindo políticas públicas e investimentos, que viabilizem o crescimento do número de empresas na região.


Um porto ou um aeroporto, são exemplos de infraestruturas que tem grande zona de influência para o desenvolvimento de atividades empresariais. São pontos de ligação entre pessoas, mercadorias e modais de transporte, além de possibilitarem o escoamento dos produtos das empresas para o mercado nacional e internacional. Dessa forma, podem atrair investimentos privados na constituição de condomínios industriais (arranjos produtivos) no seu entorno.  A Região dos Lagos possui rodovias de acesso, que uma vez recuperadas, poderiam facilitar a distribuição de produtos por via terrestre. Um terminal aeroportuário em Cabo Frio e um terminal portuário em Arraial do Cabo.  Se essas estruturas de apoio forem bem direcionadas aos mercados, poderiam trazer benefícios diretos no aumento de emprego e renda em nossa região.  


Entretanto para que isso seja possível, são necessários estudos específicos para definirem as ações diretas do poder público na direção adequada. A administração pública deveria providenciar esses estudos e divulgar as instalações logísticas locais ao mercado. Trata-se de uma postura empreendedora que os governos municipais da Região deveriam adotar para atraírem empresas. Para o sucesso dessas ações, os gestores públicos deveriam estar habilitados tecnicamente para exercer tais atribuições. Lamentavelmente, não é isso que constatamos nas prefeituras da nossa região.

 

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28/08/2019

O nosso papel e o Terceiro Setor

O caos está instalado? Vivemos a crise da economia, a crise da política, a crise de arrecadação, a crise na cidade, a crise no futebol, enfim, crise para todo lado, inclusive uma crise de identidade e de consciência, sem precedência na história desse país.  Culpamos o governo, culpamos o governador, culpamos o prefeito, culpamos o ministro, o deputado, o pastor, o padre, afinal a culpa sempre é dos outros.  Mas de quem será a culpa afinal?  Não temos responsabilidade no que acontece a nossa volta?  Sem autocrítica e responsabilidade, nós (a maioria da população brasileira) nos baseamos no senso comum, e repetimos sem o menor critério, o que os meios de comunicação divulgam todos os dias ou nas rodas sociais, sem a menor preocupação de compreender minimamente os assuntos que nos rodeiam.


Como deveríamos nos portar então? A nossa capacidade de mobilização e de participação podem indicar um caminho promissor para melhorar a nossa ignorância e julgamentos de valor, sempre tão superficiais, diante dos fatos.  Sair da zona de conforto, estudar os assuntos e pensar no bem comum, mesmo quando não somos afetados diretamente, são atitudes incomuns na sociedade brasileira. É preciso adotá-las como prática.  Sair da inércia, melhorar nossas possibilidades de articulação e de compartilhamento.  Então seria preciso uma filiação a um partido político ou preciso participação num governo? Eu diria que não.  Precisamos é de organização para melhorar e mudar a nossa realidade, seja sob o ponto de vista econômico ou social.  E isso pode acontecer de diversas formas, através de organizações, voltadas para o interesse comum, não necessariamente partidos, igrejas ou governos.


Quando o Estado mostra-se incapaz de resolver os problemas sociais, as pessoas podem tomar inciativas e assumirem responsabilidades para buscar o bem comum e os ideais que andam tão esquecidos na nossa sociedade que privilegia o consumo.  As ONGs (organizações não governamentais) ou terceiro setor nasceram com este propósito, sem uma definição precisa, mas com objetivos claros de mudar a realidade que nos cerca, do ponto de vista econômico, social, cultural e educacional.   Sim, mudar o mundo é possível. Pode-se ser um propósito de vida. A legislação cita associações, fundações e organizações civis de interesse público – não há uma lei no Brasil que utilize a palavra ONG. Os pilares em que se fundamentam as ONGs, foram desenhados e construídos pelos ideais de seus próprios participantes.


Desde a década de 90, há um movimento intenso no Brasil de ONGs, com grande espaço para atuação nas áreas de saúde, ambiental, educacional e cultural.  Mas, infelizmente, os resultados muitas vezes não aparecem. Por mais paradoxal que seja, falta organização às ONGs que padecem por falta de planejamento e financiamento.  Perdemos a oportunidade de mudar a nossa realidade primeiramente por despreparo dos gestores dessas instituições. Em seguida, por falta de investimento público e privado. Caso houvesse incentivo fiscal, como dedução de impostos para contribuições de empresas, a sustentabilidade dessas entidades seria muito melhor.  Num país, cujo governo demoniza o terceiro setor, por questões ideológicas, as prioridades geralmente não são essas. A sociedade não se dá conta da força da mobilização que tem e nem parece disposta a contribuir para alterar o quadro social brasileiro. Entretanto, estamos chegando a um ponto em que os diversas segmentos sociais não terão escolha e serão obrigados a mover-se, para não sucumbir aos desmandos de governos irresponsáveis.

 

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22/08/2019

​A insegurança da política de segurança

Obcecado por abater narcotraficantes, considerados terroristas pelo governo do Rio, Wilson Witzel dá carta branca para que a PM entre nas comunidades e atire para matar. Só que nesta política, podem morrer criminosos e também podem morrer moradores inocentes. Jovens, homens e mulheres estão morrendo no meio de uma guerra insana. Para o governo, é justificável colocar em risco a vida de milhares de moradores dessas comunidades. Levantamento feito pelo portal de notícias UOL, mostra que só nos 6 primeiros meses deste ano, a PM matou quase 900 pessoas no RJ. Pasmem, é isso mesmo.


O que causa espanto, é que governador considera como alvo, apenas as áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Estranhamente, o chefe do executivo fluminense ignora as áreas dominadas pela milícia, que se tornam cada vez maiores, dominando várias partes do território fluminense.  Há uma provável relação entre os fatos? Por quê poupar as áreas de milícias? Provavelmente porque a milícia tenha os seus “tentáculos” infiltrados na classe política e nos serviços do Estado. Os criminosos do tráfico, neste sentido, talvez hoje ameacem menos do que os criminosos milicianos, que na ausência do Estado, impõe suas regras a força. Priorizar o combate aos dois tipos de organizações criminosas deveria ser a principal diretriz da política de segurança pública.


Outro ponto a destacar é a forma como o combate aos terroristas do tráfico, como governador costuma se referir, se dá. É uma política acéfala que expõe a vida de inocentes e de policiais, nas favelas cariocas e em outras áreas do interior do estado. Nos governos dos ex-governadores Moreira Franco e Marcelo Alencar, a mesma política de confronto foi instaurada, sem que produzisse os efeitos necessários para diminuir a violência e as práticas criminosas. É como “enxugar gelo”, eliminando-se uma geração do crime, para logo em seguida, uma outra geração surgir. O recrutamento de novos criminosos não cessa. A raiz do problema não é tratada. A ação enérgica das forças de segurança é necessária sim, mas deve ser acompanhada de planejamento e inteligência. Dessa forma poupa-se a vida de trabalhadores e trabalhadoras, além de jovens. A política de segurança não se esgota neste ponto. Deve ser combinada com educação de base e profissional, saúde e geração de emprego e renda. 


Ninguém deve aventar a possibilidade de que o problema seja de fácil solução. Se fosse fácil, não estaria sendo debatido hoje. A causa raiz da violência e a criminalidade é a brutal desigualdade social. Entende-la e trata-la também deveria ser a prioridade das prioridades das políticas de governo. Basta olharmos a nossa volta aqui em Cabo Frio, onde as comunidades do bairro Manoel Corrêa, Boca do Mato e Jacaré tem sido alvos constantes de tiroteio, tensão e medo. Sem perspectivas de emprego e renda, os jovens serão presas fáceis das quadrilhas e alvos da polícia. Se o poder público não se conscientizar e tratar adequadamente o problema, teremos um colapso social próximo e isso afetará a vida de todos. A política de segurança genocida do governo Witzel é equivocada e a sociedade civil deveria exigir outros meios de enfrenta-la que não seja a matança generalizada, para que no futuro não sejamos todos reféns da própria sorte. 

 

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