Felipe Araújo

Felipe Araújo é Arquiteto e Urbanista e Secretário de Desenvolvimento da Cidade de Cabo Frio.

18/09/2019

Arquitetura, Urbanismo e a cidade que queremos

Fui convidado pela Folha dos Lagos para escrever essa coluna com o seguinte tema: Arquitetura, Urbanismo e a cidade que queremos. Aceitei o desafio e espero periodicamente trazer aos ilustres leitores um texto leve com uma visão técnica, ética e até mesmo bem humorada sobre minhas impressões, experiência, vivências e expectativas para o futuro de nosso município. 

Queremos uma cidade justa, equilibrada em relação aos vetores sociais, econômicos e ambientais, segura e com mais oportunidades. Esse é um dos jargões óbvios e partícipe de qualquer discurso político de botequim, paira no subconsciente e frequenta qualquer roda de conversa, porque, a final de contas é o que realmente queremos. Vejam que nem falei em saúde e educação, pois além das garantias constitucionais que asseguram esses vetores, me soa como óbvio e necessário.

Como virar essa página para atingirmos esse equilíbrio, sair do discurso e partir para as ações?  A resposta só virá em médio prazo e quem disser o contrário disso está apenas vendendo sonhos em papos de botequim. Em meu ponto de vista somente uma transformação no ambiente de negócios transformará essa cidade, oportunizando quem queira aqui se instalar e potencializando os que aqui estão e criando engrenagens econômicas para fazer a cidade chegar à sustentabilidade econômica, social e ambiental.  O dilema é como sair desse “looping” que estamos de dependência do Petróleo e virarmos essa página? Como atrair investimentos? 

Para responder essa questão precisamos refletir e nos posicionar perante a história e assumirmos de forma humilde os nossos erros, precisamos fazer uma leitura da cidade e propor uma estrutura legal com regras simples e claras onde as pessoas possam olhar para a cidade e entende-la como um porto seguro para ancorar suas ideias, para isso precisamos repensar a cidade. Por isso estamos mergulhados na releitura do Plano Diretor Municipal e a participação popular é vital para melhores resultados.

O Plano Diretor Municipal não fará milagres, ele apenas corrigirá um hiato temporal de 40 anos adaptando e modernizando os mecanismos legais que dão segurança jurídica para o desenvolvimento da cidade como um todo, preservando o nosso patrimônio natural e material, potencializando o crescimento de áreas específicas e transformando as potencialidades de áreas já ocupadas. 

Vivemos em uma cidade onde há uma grande queda de braços entre os anseios da população e o conjunto de Legislações Urbanísticas que regem o uso e a ocupação de nosso solo. Nessa queda de braço todos perdem, pois a cidade que queremos se afasta cada vez mais da cidade que temos. Pela falta de uma releitura periódica da cidade e uma revisitação das leis que a regem, chegamos ao caos que hoje nos encontramos: a cidade onde nada de grandioso pode acontecer, uma cidade onde as empresas temem em se instalar, pois não tem segurança jurídico-urbanística, uma cidade onde as necessidades de uso se desenvolvem à revelia da lei, etc. Quando assim se faz, não se documenta, não se controla, a cidade se desequilibra, a cidade não se conhece e a cidade se torna uma nau à deriva num mar de vetores incontroláveis. 

No meio desse caos a informalidade vence a formalidade, as oportunidades de empregos formais sucumbem e a máquina administrativa municipal, legalista e impotente, impregnada por essa ferrugem cultivada desde 1979 e freia o desenvolvimento. A cada dia somos apenas “mais do mesmo”, precisamos reconstruir nossa visão sobre as oportunidades que o município pode ter.

Existe um conjunto de soluções, não é em curto prazo, mas precisamos olhar essa cidade despidos da vaidade adquirida pelo fato de termos essa exuberante geografia emoldurada dessa paisagem de tirar o fôlego e da soberba por um dia termos deitado em berço esplendido dos Royalties de Petróleo que chegou como Ouro de Tolo a todos nós, mas não foi multiplicado.  Vamos entender que em uma cidade como a nossa, é preciso que haja mais igualdades de oportunidades, pois só assim chegaremos ao equilíbrio social.  Oportunidades geram riquezas e a maior riqueza que podemos ter é o bem estar social, essa apazigua, assim e ainge o equilíbrio.

 Precisamos “desenhar” o futuro de nossa cidade para que um dia a Prefeitura seja cada vez mais um mero coadjuvante e não o fiel da balança. Para isso precisamos de novas regras. Um  NOVO momento. 

 

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