Davi Souza

Davi Souza é empresário, estudante e Presidente da Juventude Socialista do PDT/Cabo Frio.

15/10/2019

Desemprego. Defasagem. Descaso. Uma geração de jovens perdida.

Tenho andado muito pelos bairros de Cabo Frio, conversado com diversas pessoas e visto de perto a realidade de cada cidadão. Recentemente me deparei com Maria (nome fictício para preservar sua privacidade), de 17 anos, moradora do bairro Jardim Esperança, a qual teve seu pai demitido de um supermercado que reduziu drasticamente o número de funcionários. Por causa do desemprego do pai, a mãe de Maria, que é diarista, arca com as despesas da casa no momento. Maria estudou em colégios públicos a vida inteira, mas, devido às greves na educação de 2015 e de 2016, ela e seus colegas perderam, praticamente, um ano letivo inteiro. Apesar disso, todos passaram para a série seguinte, mesmo sem a reposição adequada.

Agora, em 2019, ela já está no 3º ano do Ensino Médio e vai fazer o ENEM, que acontecerá no início de novembro. No entanto, devido ao descaso do governo com os seus servidores, novamente o ensino público está paralisado. A pergunta que fica é: se a prefeitura não oferece nem um pré-vestibular público, como ela e seus colegas da rede pública conseguirão base suficiente para prestar o exame, com tanta defasagem de matérias? Em razão disso, Maria vai tentar uma universidade privada, caso não consiga passar para uma pública. Porém, por causa da situação financeira de sua família, ela terá que procurar um emprego de carteira assinada para custear sua educação.

Com o alto desemprego vigente em Cabo Frio, dificilmente Maria vai conseguir um trabalho capaz de assegurar seus estudos. É bom lembrar que em 6 meses nossa cidade fechou mais de 600 postos de trabalho. Assim, Maria ficará condicionada à informalidade, ao subemprego, e, provavelmente, terá que interromper sua trajetória educacional. O caso de Maria não é isolado. Assim como ela, muitos outros jovens passarão pelos mesmos obstáculos, pois a eles serão dificultados o emprego digno e a educação superior. Essa, infelizmente, é a realidade de abandono das famílias e dos jovens cabofrienses. Anos de fartos repasses de royalties resumidos em descaso com quem mais precisa. O retrato da desigualdade promovido pela péssima qualidade da nossa educação pública e pela ausência de geração de empregos. 

O primeiro passo para resolver essa questão é dar estabilidade e segurança aos funcionários da rede pública quanto aos salários e gratificações. Depois, é fundamental que se crie nas escolas aulas de reforço para preparar os alunos que estão com matérias curriculares em atraso, recuperando o tempo perdido. Por fim, deve-se implantar um pré-vestibular público de qualidade, com polos no Centro, no Jardim Esperança e em Tamoios, para que melhoremos a qualidade do ensino, dando maior competitividade para o estudante fazer o ENEM e conquistar o sonho de estudar em uma universidade pública, ou mesmo adquirir bolsas de estudo em instituições privadas. Não é sonho, é possível. 

 

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08/10/2019

Cidade do Desemprego - Queda da renda das famílias faz comércio fechar as portas

Frequentes nos pontos comerciais, as placas de “Vende-se” e “Passo o Ponto” são um retrato fiel da triste situação de desemprego e queda da renda da família cabofriense. Só no primeiro semestre de 2019, a cidade de Cabo Frio fechou mais de 600 postos de trabalho formais, uma média de 100 por mês (dados do CAGED). Somado a isso ainda há a grande insegurança dos servidores públicos que, devido aos salários atrasados, volta e meia entram em greve.

Todos perdem com esse cenário, pois, com o aumento do desemprego e com a falta de cumprimento salarial da maior empregadora da cidade, a prefeitura, cai consideravelmente a renda do cidadão. Cai também o consumo, que é a mola propulsora do setor de comércio e serviços, qual vem minguando no nosso município.

É importante dizer que, a cada 10 postos de trabalho, 7 são preenchidos pelas pequenas e médias empresas, aquelas que empregam de 3 a 15 funcionários. Sem consumo, essas empresas demitem e quebram, o que repercute na baixa oferta de postos de trabalho na nossa cidade.
Além desse fator há o descompromisso estratégico do setor público em fomentar empregos na cidade. Em mais de 20 anos de gordas arrecadações de royalties de petróleo, nenhum prefeito teve a coragem de fazer um polo logístico e industrial, nem um centro de convenções para fomentar o nosso turismo. Ficou só no discurso político. 

Na verdade, perdemos importantes empresas para os municípios vizinhos, como a Prolagos, a Boi Bom e tantas outras. Por falar em municípios vizinhos, a cidade de Araruama, diferentemente de Cabo Frio, abriu, no mesmo período analisado acima, mais de 300 postos de trabalho, dando um banho de administração em Cabo Frio.

É importante ressaltar que Araruama não recebe fatia considerável de royalties como nós. No entanto, tem uma economia bem desenvolvida e variada, com comércio e setor de serviços ativo e agronegócio bem desenvolvido no distrito de São Vicente, sendo a maior produtora de críticos do estado. Além disso, possui empresas de grande porte, como a Águas de Juturnaíba. 

Cabo Frio é a cidade do desemprego. Essa situação é um reflexo de mais de 20 anos sem planejamento econômico e estratégico. Ficamos reféns de uma política assistencialista e não desenvolvimentista, que se viciou nas gordas parcelas de royalties e não soube aproveitar nossas potencialidades e investir na geração de emprego. Tal modelo implementado agravou a crise. 

É preciso atrair indústrias não poluentes, investir no turismo e na sua profissionalização, fomentar a agricultura familiar, principalmente a quilombola, a pesca artesanal, o empreendedorismo e a qualificação técnica, pois são fatores que geram empregos e mudam a realidade. Não é sonho, é possível.


 

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