Antônio Carlos Nascimento Vieira

Antonio Carlos Nascimento Vieira, 58, é nascido e criado em Cabo Frio. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade de Petrópolis - UCP, atuando posteriormente por três anos no Grupo Gerdau. Atuou por 30 anos no mercado financeiro, em instituições como os bancos Bozano-Simonsen, Safra, Fibra e Bicbanco e finalmente como diretor-comercial do Grupo Financeiro LECCA, onde atuou por sete anos. Atualmente trabalha como assessor especial do Gabinete do prefeito de Cabo Frio.

13/08/2019

Mudanças no horizonte

No último dia 30, o governador do Estado, Wilson Witzel, se reuniu com prefeitos fluminenses para instalar um Fórum Permanente que pretende tratar de questões comuns a todos os municípios, essencialmente a execução de projetos. Foram 79 prefeitos e representantes de Prefeituras, discutindo pautas voltadas a investimentos em suas regiões e as demandas que precisam ser levadas à Brasília. É um momento de grandes transformações no Brasil e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, do DEM fluminense, já se comprometeu a recepcionar e trabalhar no encaminhamento das reivindicações dos prefeitos do Rio de Janeiro. É um trabalho de integração, sem bandeira política, voltado a um movimento que talvez nunca tenha existido nos moldes deste que vem sendo estruturado.


 Não é novidade que o Rio de Janeiro, assim como todo o País, está vivendo uma crise. Vários esforços têm se somado, no sentido de restabelecer a confiança e reestruturar as finanças públicas, combalidas após os conhecidos escândalos associados à Lava Jato. Com a míngua dos investimentos, a geração de emprego e renda foi pro ralo, nos últimos anos. Por esse motivo, sabendo que quem tem fome, tem pressa, essa pauta tem dominado a agenda estadual e da maioria dos municípios. É uma das prioridades de todos os entes federativos, inclusive do governo federal, que aposta na retomada do crescimento para equilibrar as contas públicas e retomar investimentos.


 Antes dessa reunião, o governo do Estado havia iniciado uma importante linha de diálogo com o governo federal, dando demonstrações de que está realmente disposto a partir para o ataque na atração de capital produtivo, conforme foi anunciado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, no evento Expert XP 2019,  em São Paulo. O governador Witzel já posicionou favorável à quebra do monopólio do gás natural no Estado. Seguiram-se a ele, o governador de São Paulo, João Dória e até o de Minas Gerais – que não tem mar, Romeu Zema.


 Quebra de monopólio é um tema controverso, no Brasil e no Mundo. Contudo, isso significa mais recursos para o Estado e para os municípios fluminenses. A lógica é simples: sem o Estado como patriarca dos negócios, o setor privado tende a investir, acelerando o processo de tratamento e distribuição dos gás natural. Dessa forma, além de haver mais recursos disponíveis para investimento, o que por si só resulta em geração de emprego e renda, o setor industrial se beneficia com energia mais barata, o que interessa a quem produz. Energia mais barata estimula a atração de mais empresas, o que significa novos postos de trabalho e a economia girando. Todo esse movimento também leva a outros benefícios diretos para o consumidor individual, já que a tendência, em razão da maior oferta do produto, é baratear tanto o gás que abastece aos veículos, quanto aquele que chega às residências. Pronto, está criado o ciclo virtuoso, tão necessário para girar a roda da economia. 


 Claro que essas coisas não acontecem da noite para o dia, os investimentos não aparecem num estalo de dedos e os entraves burocráticos não são resolvidos com uma simples canetada. É preciso diálogo com o setor privado, que hoje já controla parcialmente as operações de gás natural no Estado do Rio, assim como empreendedores que atuam em outros Estados, para que a coisa possa andar, entretanto, o Estado é quem detém o poder de chamar para a mesa de negociação e propor, inclusive, a rediscussão dos contratos. É coisa que ainda vai levar um tempo, mas que tem andado com celeridade e cujo interesse já foi manifestado por investidores, abrindo novas perspectivas no nosso horizonte econômico.  

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